Pra ver a bandinha passar
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quinta-feira, 02 de maio de 2002
Karla Matida 
Quem parar para ver a bandinha passar vai se encantar com os novos músicos. Novos literalmente. Em Londrina, a partir dos oito meses de idade, os bebês já podem frequentar aulas de musicalização. Mas, atenção, isso não significa que pais e professores estão querendo ver surgir um gênio musical precoce, tal e qual Mozart, que aos seis anos já dava concertos. O objetivo, segundo a professora Leoniza Caxambu Penkal, é sensibilizá-los para a música e desenvolver o raciocínio.
Leoniza tem experiência musical de 16 anos como professora de piano. Depois de passar um ano acompanhando no piano as aulas de musicalização para bebês, assumiu a turma e já faz isso há um ano, desde que se mudou de Curitiba para Londrina.
Professora do Conservatório Musical de Londrina que há dez anos oferece aulas de musicalização para os pequeninos , Leoniza dá aulas para bebês de oito meses a três anos. Com oito meses, a criança já está mais firme, tem os horários certos, explicam Valderez Camargo Caria de Godoy e Regina Maria Bilha Balan Mazzarin, professoras do recém-lançado curso da Escola de Música do Colégio Mãe de Deus.
A dupla, que tem experiência de uma vida toda na música, já deu aulas para crianças, adultos e até para a terceira idade. Mas nunca tive coragem, apesar de gostar muito de bebês e crianças, de dar aulas para eles, diz Valderez.
O empurrão que faltava veio após um curso em Curitiba. Foi aí que descobrimos as possibilidades do trabalho com os bebês. Pudemos acompanhar o desenvolvimento de crianças que faziam o curso, conta Regina. O bom de trabalhar com bebês é que a resposta é imediata, completa.
De acordo com as professoras, em uma pesquisa realizada nos Estado Unidos foi constatado que a inteligência musical é a primeira que se desenvolve na criança. Partindo dessa premissa, bebês que frequentam as aulas semanais de 30 minutos, além de serem estimulados musicalmente, também desenvolvem coordenação, raciocínio lógico e matemático e disciplina, garante a professora Leoniza.
Eles entendem que para pegar um instrumento novo, têm que devolver o antigo. No começo, eles não querem, mas depois aprendem, conta a professora, que no final de cada aula promove um relaxamento com as crianças. Tocamos músicas mais calmas, do repertório das caixinhas de música e os bebês já se deitam, diz.
E quando o assunto é repertório, as professoras Valderez e Regina andam resgatando canções do folclore brasileiro e as antigas canções de roda. Estamos planejando lançar um CD do projeto no ano que vem, revelam. Isso por conta do sucesso das músicas com as crianças e as mães. Elas ligam pedindo as letras para cantar em casa, contam.
Em todas as aulas, o bebê tem que estar sempre acompanhado de um adulto, preferencialmente a mãe. Isso ajuda a criar um vínculo ainda maior com a mãe, deixa os dois ainda mais unidos, diz Leoniza. Nos primeiros meses, a criança faz tudo por imitação, e ela vai repetir o que a mãe faz, completa. Mas pedimos para que o adulto não force nada. Cada bebê tem seu ritmo, diz Valderez.
Coquinhos, chocalhos, brinquedos e até sucata servem de instrumentos para os bebês produzirem sons. Usamos artigos do universo infantil, explica Regina, que diz estar sempre à procura de novos instrumentos para os aluninhos.
Nossa meta é que daqui 50, 60 anos, essas crianças possam ser diferentes das pessoas de 50 e 60 anos de hoje. Temos alunos no Coral da Terceira Idade que nunca tinham feito música antes, garante Regina.
A gente já nasce musical, é raro ver um bebê que não liga para a música, afirma a professora Leoniza. As mães percebem isso e procuram o curso de musicalização, também sabendo do desenvolvimento que a música provoca no cérebro do bebê, conta Valderez.


