Porta-retrato virtual
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Objeto de decoração frequente em muitos quartos adolescentes de várias gerações, o quadro de retratos está sendo deixado de lado. É o caso do espaço fotográfico do quarto da estudante Salime Abdalla, 13 anos. Recheado com fotos de quando ela era criança, o quadro não recebe novidades há muito tempo. A justificativa? Graças à onda digital-virtual cada vez mais acessível, os novos retratos vão todos para a internet ao invés de serem impressos em papel.
Aos 14 anos, Larissa Saderi tem uma câmera fotográfica digital só dela há pelo menos três anos. Desde então não parou de disparar o flash nos momentos mais significativos ou mesmo os nem tão importantes assim. ''Minha mãe ficou impressionada quando a gente estava na praia porque numa caminhada tirei umas 80 fotos'', lembra Larissa, que é adepta dos auto-retratos. Aliás, uma mania divertidíssima que atinge muita gente.
Hoje, com um modelo novo de câmera, um celular com câmera e um tocador de músicas também com câmera, a estudante está mais do que equipada para um dos hobbies preferidos. ''Primeiro a gente tira a foto, depois vai ver o que aconteceu, quando alguém cai por exemplo'', conta Luiza Callado, que completa 14 anos amanhã.
Com a máquina fotográfica sempre por perto, Luiza conta que adora fotografar o cachorro. Anos atrás, as fotografias iriam parar num álbum, mas agora vão direto para a rede mundial de computadores. Salime, Luiza e Larissa, assim como a maioria da sua turma e de muitas outras turmas, têm um fotolog (álbum virtual) sempre bem atualizado. Principalmente porque uma das regras de sites como o fotolog.com (antigamente fotolog.net) é permitir apenas uma foto nova por dia para usuários não-pagantes. Para dar vazão à grande produção fotográfica, o trio utiliza o Orkut (site de relacionamentos). ''Agora dá para colocar 30 fotos'', avisa Salime.
Mas ao contrário dos antigos álbuns de retratos, os virtuais têm funções que vão além do simples mostrar as pessoas. ''Quando você não vai à uma festa, é só olhar na internet no dia seguinte para saber o que aconteceu, quem estava lá'', explica Bárbara Giangarelli, às vésperas de completar 17 anos. ''Não vou dormir antes de baixar as minhas fotos, mesmo que chegue muito tarde de uma festa'', garante Larissa.
Outrora fã de fotolog - que criou quando tinha 11 anos -, Bárbara hoje prefere o Orkut e o MSN (sistema de troca de mensagens instantâneas) ''para combinar de sair com os amigos''. Ela acredita que o fotolog tenha uma fase, principalmente para os mais novos. ''O auge são as festas de 15 anos'', diz Bárbara.
Assim como as pessoas trocam números de celulares entre si para manter contato, o endereço do fotolog e perfil no site de relacionamentos também vira referência na comunicação entre as jovens. Mas não adianta só colocar novas fotos, é preciso também avisar os amigos das atualizações. ''Se a foto está bonita, aparecem muitos comentários. Mas também acontece isso se a foto está muito feia'', lembra Salime.
Com domínio de programas de edição de imagem como o photoshop, as meninas aproveitam os conhecimentos nas próprias fotos, claro. ''A gente faz fotomontagem se, por exemplo, uma amiga não aparece na fotografia em que está todo mundo'', contam Luiza e Larissa. ''Eu também sei 'alongar e emagrecer' as fotos'', garante Larissa, que diz ter aprendido tudo ''fuçando no computador''.
Além dos fotologs e do Orkut, a internet também disponibiliza outros álbuns virtuais sem tantas regras e limites de fotos. São endereços como o slide.com (as fotos ganham movimentos e outros efeitos e também podem ser integradas a blogs - diários virtuais - My Space e o próprio site de relacionamentos) e o flickr.com.


