Porque choro mais do que o bebê?
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Pergunte às mães qual foi o dia mais feliz de suas vidas e várias delas irão responder: quando meu filho nasceu. Ouvir o primeiro choro, dar o primeiro banho, amamentar, acompanhar o desenvolvimento do bebê é relatado como algo tão fantástico que chega a ser difícil de explicar em palavras.
Mas para 10% a 15% das mulheres, o nascimento de um filho se torna algo triste, desanimador e sufocante. Não estamos falando de mães que simplesmente não queriam ter engravidado, ou foram abandonadas pelos companheiros e não têm condições de criar seus filhos. São mulheres que sofrem de depressão pós-parto.
É uma doença que costuma aparecer durante a segunda semana depois do parto e pode levar algumas mães a cometer suícidio ou infanticídio, tamanho o sofrimento causado. Os níveis de serotonina no corpo da mulher caem muito depois do parto. Junta-se a isso toda a questão emocional, o cansaço e o medo de cuidar do bebê, e a depressão pode aparecer, diz a psiquiatra Sandra Odebrecht Vargas Nunes.
Ela lembra que muitas vezes a depressão é confundida com a tristeza pós-parto, que acontece em 50% a 85% das mulheres, e surge entre o quinto e décimo dia depois do nascimento do bebê. Ela também é caracterizada por cansaço, medo e desânimo, mas é uma situação passageira e auto-limitada. Já a depressão é uma doença duradoura e grave, com possíveis conseqüências sérias se não for tratada, alerta.
Outros sintomas da depressão pós-parto, segundo a especialista, é a perda da vontade de se cuidar, alteração de sono e apetite e pensamentos de menos valia e culpa. A mulher passa a ver as coisas de uma maneira totalmente distorcida. Se acha feia, incapaz de cuidar do filho e de gostar dele, fica sonolenta o tempo todo. Não sente prazer em nada e se sente desamparada e impotente para mudar, diz.
A depressão pós-parto geralmente aparece na primeira gravidez e existem alguns fatores de risco para a doença. Mulheres com casos de depressão na família e que passam por gestações complicadas, seja emocional ou fisicamente, têm mais chances de desenvolver o problema. Mas mães aparentemente normais também podem adoecer. Mulheres com boas condições, de famílias estáveis e sem complicações, não estão livres da depressão, afirma.
Embora em alguns casos a depressão apresente sinais durante a gestação, ela não pode ser prevenida. O ginecologista também pode ajudar se perceber algo estranho na mulher, orientando o casal em como lidar com o problema e dando apoio para ela superar seus medos e receios, normais durante a gravidez. Mas geralmente os sintomas aparecem só depois do parto, comenta a ginecologista Olívia Maria Nassif Fernandes.
Segundo ela, é importante que a família esteja atenta para alterações no comportamento da mãe e procure ajuda o quanto antes. Os casos de depressão leve são bastante comuns e podem ser facilmente tratados, diz.
Sandra Vargas revela que em casos graves, que não recebem tratamento, 15% das mães cometem suicídio, 5% infanticídio e 1% desenvolvem algum tipo de psicose.
Existe também o prejuízo para a criança, uma vez que o contato e a estimulação da mãe são fundamentais para os primeiros meses de vida. Sem esse vínculo, o desenvolvimento do bebê pode ficar comprometido. A mãe também se prejudica na vida social, porque não consegue voltar ao trabalho, tem dificuldade de concentração, completa a psiquiatra.
O tratamento, que deve ser iniciado o mais rápido possível, depende de cada caso. Para os mais leves existem até medicamentos naturais que podem ajudar. Quando o problema é mais sério, é preciso acompanhamento psiquiátrico e uso de antidepressivos, afirma Olívia. Os medicamentos são muito eficazes e levam de duas a quatro semanas para oferecer resultados. Geralmente, em seis meses há uma grande melhora, mas é necessário manter um controle por um ano, pois a doença pode voltar, alerta Sandra.
Para os familiares, é importante reconhecer que é uma doença e que mãe e filho precisam de ajuda. É difícil para a mulher aceitar essa situação e o apoio e compreensão dos mais próximos ajuda muito. Estimular a criança e ajudar a mãe são atitudes positivas. Criticar não ajuda em nada. Dependendo do caso, o apoio de um psicólogo também é necessário, recomenda a psiquiatra.


