Com o mercado de trabalho tão apertado e concorrido, as novas profissões têm se tornado opções tentadoras para quem pensa em fazer uma faculdade. Basta verificar a concorrência nos vestibulares de cursos com pouco tempo de história mas boas promessas de futuro para confirmar essa teoria. Dentre os novidades que caíram no interesse da moçada está o curso de biomedicina, um dos mais concorridos no vestibular da UEL nos últimos anos.
De olho nos números dos concursos de universidades públicas e no crescimento do mercado, várias faculdades particulares já oferecem o curso. ''Biomedicina ainda não é popular mas está se firmando devido aos investimentos em pesquisa de medicamentos. Acredito que teremos grandes descobertas na área de saúde nos próximos anos. Por esse motivo, a biomedicina pode ser considerada uma das profissões do futuro'', garante o reitor da Unifil, professor Eleazar Ferreira.
Mas engana-se quem pensa que a profissão de biomédico é coisa dessa década. Segundo o coordenador do curso na Unifil, professor Eduardo Carlos Ferreira Tonani, a biomedicina surgiu há quase 40 anos na USP. ''Mas uma lei federal de 1985 proibiu os biomédicos de trabalharem em laboratórios de análises clínicas, um dos maiores mercados para esse profissional, e o curso foi perdendo interesse dos estudantes. Só em 1992 a lei foi alterada, o mercado melhorou e os alunos começaram a voltar'', conta.
Além de trabalhar em laboratórios, com coleta de materiais e diagnósticos de exames, o biomédico também está apto para trabalhar com testes de resultados de medicamentos e vacinas na indústria farmacêutica, com saneamento básico, na descoberta de causas de epidemias e problemas gerais, e no ensino superior como docente. ''O mercado é bastante amplo e o profissional pode trabalhar em qualquer dessas áreas. Também pode ter seu próprio laboratório e assinar por ele, estudar e testar alimentos e aparelhos para exames'', afirma.
Para ser capaz de realizar tudo isso, o aluno de biomedicina precisa estudar bastante. O curso é integral e compreende aulas de anatomia, patologia, bioquímica entre outras da área de saúde. ''A pessoa precisa gostar muito de biologia e química. Vai estudar muito o corpo humano, como ele funciona e como as doenças agem sobre ele para depois encontrar uma forma de tratá-las'', diz. Apesar de trabalhar com os problemas de saúde e seus remédios, engana-se quem imagina que o biomédico age como o médico. ''O biomédico não pode clinicar, não pode prescrever medicamentos nem tratamentos. Ele trabalha na área de saúde procurando razões das doenças, através dos testes de laboratório. Nosso trabalho é fundamental para o médico mas não pode substituí-lo'', lembra.
Por sua similaridade com o curso de medicina nos primeiros anos, Tonani diz que alguns estudantes costumam usar a biomedicina como trampolim para ingressar no curso. ''Na minha turma, em 1988, tive alguns colegas que começaram biomedicina e depois pediram transferência para medicina. Mas a maioria dos alunos acaba se apaixonando pelo curso e pela profissão e terminam o curso. Sou suspeito para falar, mas biomedicina é fascinante'', garante.
Os profissionais que se formam, depois de quatro anos de estudos, encontram, segundo Tonani, um mercado ainda pequeno na região sul e sudeste. ''Aqui é mais difícil encontrar uma vaga por causa de muitos profissionais disponíveis. Nos laboratórios, por exemplo, o biomédico disputa trabalho com o bioquímico. Mas nas regiões Norte e Centro-Oeste, as opções são muito boas. Existem vagas e os salários são compensadores porque a maioria das pessoas rejeita esses lugares.''

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