As células-tronco (CT) diferem das restantes por terem a capacidade de se auto-renovar e se dividir indefinidamente. Elas também são capazes de se diferenciar em linhagens celulares distintas. No organismo adulto, elas podem ser encontradas na medula óssea, já sendo utilizadas com sucesso em vários transplantes.
Elas também estão presentes no cordão umbilical, porém ainda imaturas, e é justamente esse o ponto mais favorável ao armazenamento, ou seja, à criopreservação. ''Essa célula pode se transformar em qualquer tipo de tecido e de uma forma muito mais rápida, devido a sua velocidade de divisão celular'', afirma o hematologista Rodolfo Froes, de Recife.
Nos últimos 15 anos, as CT umbilicais têm sido usadas como alternativa às células da medula óssea no tratamento de diversas doenças hematológicas e/ou oncológicas, por apresentarem maior capacidade proliferativa. Mais ''imaturas'', elas apresentam menores índices de rejeição.
O tratamento com células-tronco umbilicais ou medulares é relativamente simples na maioria dos casos. ''Para reconstrução do miocárdio, uma área com resultados muito bons atualmente, as CT, após serem tratadas e selecionadas, são injetadas diretamente no coração, por meio de um catéter, ou no miocárdio, através de cirurgia. Para tratamento de medula, as células, recolhidas de um doador ou do próprio paciente, são injetadas por um acesso venoso, como uma transfusão de sangue, e as células vão naturalmente repovoar a medula óssea destruída previamente pela quimioterapia'', explica.
Fórmulas milagrosas, como as células-tronco vendidas em pó, mostradas dias atrás no programa Fantástico, da Rede Globo, devem ser vistas com muita desconfiança pela população, segundo o Froes. ''As pessoas não devem confiar em promessas e precisam procurar centros de referência para esclarecer dúvidas. Os médicos envolvidos em pesquisas promissoras são, geralmente, geneticistas e hemoterapeutas, que trabalham com as células-tronco em cada especialidade em que podem ser utilizadas'', explica. (H.F.)

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