A dor da traição é considerada - no mesmo grau - como a dor de um óbito. Muitos não saem do 'velório eterno', pois o choque, seguido das sensações de raiva, revolta, incredulidade, depressão e ansiedade - etapas naturais de quando se descobre que está sendo enganado - ficam enjaulados por meses e até anos na vida do traído.
Por definição, traição é a quebra de um contrato de fidelidade, portanto, seja de que forma for, para homem e mulher, vem acompanhada de muita dor. Na maioria das vezes, as pessoas traídas são pegas de surpresa. Aceitem ou não, afirmam os estudiosos no assunto, traição não é algo que surge da noite para o dia, ela é construída, é resultado de um processo.
''A traição surge do desgaste do casamento. A pessoa busca fora o que ela não encontra em casa. Só que muitas fazem isso antes de procurar em casa. A pessoa que trai carrega problemas individuais. Ela trai por carências dela mesma. A pessoa vai estar sempre trocando de parceiro enquanto ela não resolver seus conflitos'', afirma Suely Buriasco, londrinense, escritora, educadora e mediadora de conflitos, que recebe em seus consultórios - em São Paulo e Mato Grosso do Sul - uma infinidade de casais que se aventuraram em relacionamentos extraconjugais.
Dizem que o tempo é o melhor remédio para curar as dores. Mas nos casos de traição, aliado a ele vem o perdão, elemento fundamental para que o relacionamento continue. Sem ele, fica insustentável tentar continuar na relação.
''É totalmente possível perdoar uma traição. Perdoar não deve ser opção, devemos perdoar por nós mesmos. Você pode perdoar e não ficar junto. É preciso enxergar o perdão como algo seu. Perdoar não é aceitar, é se livrar. Quando você perdoa de verdade acaba se livrando para sempre do problema e ele passa a não te incomodar mais. Primeiro deve-se perdoar e depois pensar se vai ficar ou não com o parceiro'', explica Suely.
O chão some e a tendência é achar que nunca mais conseguirá alguém que te ame novamente. Essa fase, bem como outras, como o medo de não conseguir ser feliz de novo, auto-estima baixa, o começar novamente, a culpa, entre outros, fazem parte de várias fases, de um sofrimento inevitável, porém superável, segundo a especialista.
Como a infidelidade acontece, de acordo com a mediadora, geralmente pela monotonia instalada no relacionamento ou no desgaste amoroso, cabe aproveitar a crise como oportunidade de mudanças. Suely diz que é preciso que os casais não esqueçam que o amor é uma construção diária, que o relacionamento precisa ser alimentado todos os dias pelo diálogo, compreensão, renúncia, vontade e dedicação em satisfazer o prazer e desejos um do outro.
''O voltar não existe. O que vai passar a existir é um novo relacionamento, que só vai dar certo se for um novo relacionamento. Claro que ninguém esquece uma traição do dia para a noite. É preciso haver uma compreensão muito grande do traidor''.


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| Foto: Shutterstock
Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra que 60% dos homens e 47% das mulheres admitem que traem
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''A pessoa que trai carrega problemas individuais. Ela trai por carências dela mesma'', afirma a mediadora Suely Buriasco