Por que puniu? Puniu por quê?
E agora? Tenho um filho adolescente, de Larry Waldman, editora Marcuryo, 128 páginas, R$19,50.Francelino França
Arquivo FolhaQuando o adolescente apronta demais e os pais aplicam algum tipo de punição, a tendência é o filho ficar ressentido e até vingativoDepois que conselhos, avisos e advertências foram ignorados pelo filho adolescente, os pais não encontram outra solução a não ser aplicar um castigo. Geralmente, a punição aparece quando o limite da tolerância dos pais foi ultrapassado. Responder mal, chegar tarde em casa, deixar de comparecer a um compromisso importante, ignorar um pequeno serviço, matar aula, assinar o boletim pelo responsável, pegar o carro sem permissão, bater no irmão menor, dar festas na ausência do pais... são alguns motivos que dão origem a punições.
Entenda-se por punição a privação, por determinado período, de algo que tenha valor para o filho. Privação de usar o computador, de passar horas no telefone, de usar o som, de sair com os amigos. Pode ser considerado castigo suspender a mesada, tirar o telefone do quarto do jovem, confiscar seu videogame, trancar as portas se o adolescente não chegar em casa à hora fixada, não convidá-lo para um passeio ou viagem com a família... Sempre com o intuito de fazer com que o filho entenda que ele passou dos limites.
O efeito primário da punição é fazer com que o punido fique mais reservado em relação a quem pune. No caso dos adolescentes, eles tendem a ficar mais ressentidos e vingativos quando a punição é aplicada, principalmente se houver muito rigor. O consultor e psicólogo americano Larry Waldman aborda esse assunto no livro E agora? Tenho um filho adolescente. Ele considera que os castigos devem ser usados com os jovens em casos excepcionais, somente quando é absolutamente necessário, e que sejam administrados de forma correta. Waldman orienta os pais que ao se depararem com o comportamento inadequado do filho respondam as seguintes perguntas: vale a pena brigar por isto?; o que eu preferiria que ele fizesse?.
Os pais, sugere o autor do livro, podem se valer do reforço de um comportamento alternativo que pode ser muito mais eficiente. A primeira meta da punição é alertar o filho que o comportamento é inaceitável. Mas é importante os pais permanecerem calmos ao ministrar a punição. Ao gritar com o adolescente, ele devolverá a agressão com um comportamento agressivo. Punição não pode ser considerada como vingança ou retaliação, avalia Waldman.
Punir imediatamente é mais eficaz. O autor alerta que um dos direitos civis básicos é o direito a um julgamento rápido. E o jovem deve reconhecer o que ele fez de errado. Às vezes, determinado tipo de punição não pode ser imposto. Por exemplo, quando se proíbe o filho de sair com determinada companhia, mas mesmo assim o filho fica o dia todo fora de casa. Como ter certeza de que o filho não está saindo com a indesejável companhia, ficando tanto tempo fora de casa?
Segundo Larry Waldman deve-se aplicar punições de curta duração. Se o jovem for punido durante muito tempo por uma infração, ele ficará com muita raiva e não pensará em seu comportamento irresponsável. Isso poderá até levá-lo a se envolver em situações piores. O jovem tem necessidade de resguardar seu amor-próprio e, provavelmente, dará um tempo antes de mudar de comportamento. Quando comunica ao filho como ele se sente sobre um mau comportamento específico, o pai obterá resultados mais satisfatórios, conclui.
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