Os cães e gatos vira-latas já foram lembrados em poemas e canções. Atualmente os animais de rua estão ganhando atenção de entidades protetoras que buscam pessoas interessadas em adotá-los. A maioria dos animais que vive nas ruas sofre maus tratos, passa frio, fome e acaba se tornando uma questão de saúde pública.
Cada vez mais as famílias optam por adotar um vira-latas em vez de comprar um animal. Se por um lado algumas pessoas evidenciam o carinho que têm pelos animais, por outro ainda há muitas situações de maus tratos acontecendo. ''Quando olhamos para um vira-latas devemos perguntar, quantos de nós (humanos) temos raça pura? Então eu questiono: por que não adotar um vira latas?'', diz a professora Patrícia Mendes Pereira, da disciplina de clínica médica de animais de companhia, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ser um vira-latas e não ter raça definida são duas condições diferentes. Animais vira-latas, com ou sem raça, são aqueles que vivem nas ruas e comem o lixo que encontram, já os sem raça definida são resultado de mistura entre raças. De acordo com o presidente da Ong SOS Vida Animal, Milton Pavan, é relativamente comum os voluntários se depararem com animais de raça pura abandonados. ''Geralmente foram comprados ou ganhados sem a devida reflexão pela família e acabaram tornando-se um estorvo, por isso são colocados na rua'', lamenta.
Os vira-latas precisam dos mesmos cuidados que os outros cachorros, a principal diferença entre eles é que os animais de raça pura têm mais chances de apresentarem doenças congênitas e possuem predisposição para algumas doenças por conta dos cruzamentos inadequados, como os entre pais e filhos. ''Como o vira-latas é uma mistura, a chance de eles apresentarem doenças congênitas é muito pequena'', afirma.
A veterinária lembra que ninguém é obrigado a ter cachorros em casa, mas a partir do momento que a pessoa decide comprar ou adotar o animal ela é responsável por cuidar dele da melhor maneira possível. ''Cachorro precisa de passeio, carinho, cuidados médicos e brincadeiras, independentemente da raça, do tamanho e do temperamento. Antes de pegar um animal a pessoa precisa avaliar se terá espaço, tempo e dinheiro para manter o cachorro em boas condições'', destaca.
Quem adota ou compra um animal de estimação deixou de ser chamado de dono ou proprietário. Atualmente os profissionais e voluntários da área estão usando o termo guardião. ''Somos proprietários de coisas, objetos e o animal é um ser que tem vida, merece respeito e cuidados. Não somos donos deles, somos guardiões responsáveis pelos cuidados com eles'', justifica Patrícia.
Abandono
Milton Pavan afirma que o problema relacionado ao abandono de animais é gigantesco. ''Enquanto não houver educação, responsabilidade, punição e conscientização não conseguiremos mudar este cenário.'' Segundo ele, é preciso orientar crianças, adultos, criadores e revendedores de animais sobre o tema. O cumprimento das leis e a consciência de que esta é uma responsabilidade de todos também são considerados fundamentais.
Atualmente a SOS Vida Animal possui cerca de 150 cães e gatos adultos e filhotes, castrados e vacinados aguardando uma família para adotá-los. Os interessados podem visitar o site da instituição (www.sosvidaanimal.org.br) que disponibiliza fotos dos animais disponíveis para doação, ou entrar em contato pelo telefone 3345-0607.

Imagem ilustrativa da imagem Por que não um vira-latas?
| Foto: Foto: Ricardo Chicarelli
Mariana Bussadori e o vira-lata Branquinho - considerado a alegria da casa: ''Ele é muito carinhoso. A nossa paixão''
Imagem ilustrativa da imagem Por que não um vira-latas?
Jovelina Almeida foi convencida a adotar Brenda, que não tem uma das patas, mas ‘‘cuida direitinho do quintal e é muito dócil’’