Por dentro das varizes
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quinta-feira, 05 de abril de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Muito mais do que órgãos indispensáveis para a locomoção, as pernas também são poderosos recursos de sedução, principalmente para as mulheres. Quem não gosta de poder usar uma saia ou short curto, mostrando um belo par de pernas? Mas os inimigos são vários e teimam em aparecer. Um dos mais cruéis são as varizes, que além de estragar o visual também podem provocar dor e desconforto.
Mais comuns nas mulheres, as varizes são veias que dilataram ou, em casos extremos, estouraram, por causa de válvulas que deixaram de funcionar e de mandar o sangue de volta para o coração. ''Isso não representa um problema para as células, que continuam recebendo o sangue bom trazido pelas artérias. Mas as varizes provocam inchaço e úlceras nas pernas, comprometendo a qualidade de vida da paciente, devido à dor que causam nos casos mais graves, além das consequências estéticas'', afirma o angiologista e cirurgião vascular Domingos de Morais Filho.
Segundo ele, as varizes começam a aparecer depois da puberdade e variam de tamanho dependendo do calibre das veias comprometidas. ''Por isso, algumas pessoas têm varicoses. Esse nome é usado para designar as varizes menores. Mas as duas são causadas pelo mesmo motivo e precisam ser tratadas porque uma varicose pode se transformar em uma variz grande se nada for feito'', alerta.
Felizmente, tratamentos existem, são simples e dão resultado. Hoje, os médicos utilizam as técnicas de escleroterapia e crioesteroterapia. Nesta última, o tratamento consiste em aplicar um líquido que queima a veia afetada, fazendo com que ela seque e deixe de servir para o sistema. ''Como o corpo possui muitas veias, secar algumas não é um problema porque as outras se encarregam do trabalho. O procedimento é simples e a paciente sai do consultório logo em seguida para a rotina normal'', explica.
O problema é que para as veias mais grossas, exatamente aquelas que ficam mais aparentes e tortuosas na pele, a escleroterapia não apresenta bons resultados e as pacientes precisam recorrer à intervenção cirúrgica. ''A veia é cortada e isso precisa de anestesia. É sempre um risco para o organismo'', lembra o médico.
A boa notícia é que quem tem varizes de grande calibre já pode contar com dois tratamentos bem mais simples do que a cirurgia: a aplicação de uma espuma mousse e o uso do laser. No primeiro, a substância é injetada diretamente na veia afetada, secando suas paredes e diminuindo seu calibre. No segundo, um cabo de fibra óptica é injetado na veia e emite ondas de laser que queimam a veia.
''A vantagem está no fato de não serem procedimentos cirúrgicos. Apenas o laser exige a aplicação de anestesia local para eliminar a dor, mas a recuperação é rápida, precisando usar meias de compressão durante alguns dias'', afirma Morais. Ele explica que para as varizes menores, a escleroterapia continua sendo a mais indicada devido ao custo das outras duas técnicas. A aplicação da espuma é cerca de dez vezes mais cara do que o tratamento convencional e o laser é ainda mais caro.
Segundo ele, na maioria dos casos, uma única aplicação de espuma ou de laser é suficiente para eliminar a veia estourada. ''Os números comprovam que cerca de 80% dos casos tratados com espuma e 98% dos casos tratados com laser se resolvem na primeira vez. As duas técnicas são ótimas opções para quem não quer conviver com as varizes e nem se submeter a uma cirurgia'', comenta.


