A arte de bordar ultrapassou séculos, acompanhou os avanços tecnológicos e ainda é muito utilizada, tanto na forma manual quanto com o auxílio das máquinas, que já reproduzem fielmente o trabalho das bordadeiras. Dois desfiles da última São Paulo Fashion Week/Verão 2011 e uma apresentação na semana de moda de Milão/ Verão 2011 comprovam isso. Os estilistas Ronaldo Fraga, Fernanda Yamamoto,e a grife Dolce e Gabbana levaram às passarelas suas coleções estruturadas no bordado artesanal, mas de formas divergentes. No entanto, todos provaram que a técnica em si nunca saiu de moda, e o que vale mesmo é a criatividade.
Influenciado pelo livro "Aprendiz Viajante", do escritor modernista Mário de Andrade, Ronaldo Fraga mostrou criações contemporâneas com apelo tradicional. Através do grupo de bordadeiras da cidade de Passira, no agreste pernambucano, Fraga construiu batas soltas e vestidos curtinhos com a ajuda de rendas e bordados cheios de pontos arredondados, sombras, matames e crivos. Já a estreante Fernanda Yamamoto se inspirou em fotos aéreas do centro da cidade de São Paulo, para construir vestidos com texturas variadas, através de técnicas de bordado, lixamento e feltragem.
Andréia Cristina Ferreira, estilista da marca londrinense Zue, nunca abriu mão do artesanal em suas coleções. "Sempre colocamos um detalhe com linhas, pedrarias, pérolas ou paetês. Existe todo um romantismo por trás de um bordado, sem contar a sensação de exclusividade que ele dá à peça, que assim tem um peso maior", comenta. Segundo ela, até o nome da marca (que significa "luz do sol" na ilha de Cunas, no Panamá), é o reflexo da paixão pela arte. "A cidade é famosa pelos tradicionais campeonatos de bordados, nos quais existem diversas modali­dades, entre elas a escolha do trabalho mais bonito", diz.
Para o estilista Nélio Pinheiro, à frente da Overloque há 26 anos, esse estilo artesanal se transforma, ganha novas formas e funções, e dificilmente se tornará obsoleto. "Para mim, o bordado significa o resgate da cultura, das tradições e independe das tendências de moda", explica. Nas peças, Pinheiro utiliza a técnica para desenhar, rebordar estampas, salientar contornos e transmitir formas tridimensionais aos looks. "Gosto do bordado, pois acho que é a cara das formas artesanais". Pinheiro admite que não tem precon­ceito em utilizar tecnologia para desenvolver suas coleções. "Prefiro as bordadeiras, mas dependendo da proposta e da quantidade de peças, as máquinas conseguem executar a mesma função, sem perder a ideia de roupa artesanal", argumenta.

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