Alen­te­jo – Se no Dou­ro os mor­ros ín­gre­mes for­mam o ce­ná­rio, no Alen­te­jo são as pla­ní­cies que ocul­tam os se­gre­dos des­sa re­gião de pou­cos ha­bi­tan­tes. O que se en­con­tra pe­las es­tra­das é um re­le­vo uni­for­me, com uma va­ria­ção de co­res me­nos for­tes do que no nor­te, mas num ho­ri­zon­te ­mais am­plo e in­fi­ni­to.
  A imen­si­dão de re­giões cul­ti­va­das, es­pa­ça­das de pe­que­nos vi­la­re­jos e cas­te­los, ocu­pa qua­se um ter­ço do ter­ri­tó­rio por­tu­guês, ao sul do Rio Te­jo. Há pro­du­ção de ce­reais e cor­ti­ça, ti­ra­da dos pés de so­brei­ro. Pi­nhei­ros, pés de amo­ra e la­ran­ja tam­bém apa­re­cem, mas são as ­uvas e azei­to­nas os des­ta­ques des­sa ­área de cli­ma im­pla­cá­vel, no ve­rão ou in­ver­no.
  A re­gião tem ­áreas de­mar­ca­das de pro­du­ção de vi­nho, co­mo vá­rias ou­tras de Por­tu­gal. A ­ideia é man­ter o mes­mo pa­drão de qua­li­da­de com ma­té­ria-pri­ma e téc­ni­ca tra­di­cio­nal­men­te lo­cais. Por mui­tos ­anos, a po­bre­za e a cu­li­ná­ria rús­ti­ca re­fle­tiam na qua­li­da­de da be­bi­da. Con­si­de­ra­va-se que a pro­du­ção era só pa­ra vi­nhos da ca­sa de res­tau­ran­tes. Mas is­so mu­dou. O Alen­te­jo pro­duz há pe­lo me­nos 10 ­anos al­guns dos me­lho­res ró­tu­los de Por­tu­gal.
  A iden­ti­da­de cul­tu­ral ali se con­fun­de com a pai­sa­gem sem som­bra e a ar­qui­te­tu­ra de in­fluên­cia mou­ris­ca, mas a gas­tro­no­mia fa­la al­to nes­se mo­sai­co. Ape­sar do ca­lor, so­pas são uma das mar­cas da cu­li­ná­ria. A açor­da le­va azei­te, coen­tro, pão em­be­bi­do e um ovo fri­to por ci­ma. O bor­re­go (ove­lha) tem qua­se tan­tas va­rie­da­des de re­cei­ta quan­to o bacalhau. (P.S.)

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