Pimentinhas na escola
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Vivian Fukushima<BR>Reportagem Local 
Quem nunca ouviu falar ou assistiu aos desenhos e filmes de "Denis, O Pimentinha", que conta a história de um garoto que apronta todas com os vizinhos, em casa, e até na escola? A série foi criada nos EUA, na década de 1950 por Hank Ketcham, e o personagem ganhou notoriedade através de tirinhas publicadas em jornais americanos. Na década de 1980, Denis virou desenho animado e, nos anos 90, filme.
Porém, apesar de travesso, e às vezes indisciplinado, Denis não costumava responder a seus pais, nem mesmo à professora. Isso porque, na época em que foi criado (1950), essas atitudes, principalmente na sala de aula, seriam inadmissíveis, já que as escolas seguiam um sistema tradicional, exigindo dos alunos um comportamento quase militar. Quando ocorriam atitudes de indisciplina, os castigos, muitos deles físicos, eram aplicados.
Hoje, muita coisa mudou. Conversar demais, passear pela sala de aula, não fazer as tarefas, brigar, bater, morder os colegas e, principalmente, não respeitar os professores, tornou-se algo normal e até mesmo aceitável por muitos pais e escolas. No entanto, segundo Daniele Zoéga Della Barba, psicóloga e diretora educacional da escola O Peixinho, essas atitudes não podem ser relevadas, e a escola precisa identificar a causa da mudança de comportamento nas crianças. "Mas, para isso, é importante a colaboração da família, que precisa estar ciente do seu papel na educação dos filhos. Se os pais não participam, a escola pouco pode fazer", diz.
Conheça seu filho
Segundo Daniele, a maioria dos pais, principalmente os de primeira viagem, começa a ter parâmetros do comportamento do filho quando o coloca na escola. "Isso é legal porque é a partir daí que os pais começam a perceber se o comportamento de seus filhos está, ou não, adequado". Porém, a psicóloga alerta: "Cada criança tem sua personalidade, seu jeito de ser, e isso não deve ser comparado. O convívio escolar é que ajuda os pais a perceberem as fases da criança, se suas atitudes condizem com o comportamento que ela deve ter nessa faixa etária", explica.
Tudo começa em casa...
Não existe idade mínima para a criança apresentar comportamentos incorretos na escola, ou uma faixa etária em que isso seja mais frequente. De acordo com a psicóloga, muito do comportamento indisciplinado das crianças pode ser explicado pelo contexto familiar em que ela vive. "Há crianças que não estão acostumadas a ouvir um "não", e isso, mesmo que minimamente, vai mudar seu comportamento na hora em que estão na sala de aula, em grupos e com regras a ser seguidas". Ela afirma também que toda essa mudança é extremamente saudável para o desenvolvimento da criança, no entanto, se ela, desde bem pequena, for educada e orientada da maneira correta pelos pais, ao chegar à escola, o convívio com vários coleguinhas não será tão difícil. "A forma como os pais educam o filho contribui com seu relacionamento na escola", acrescenta.
....e continua na escola
Daniele afirma que o fato de atribuir a questão da indisciplina no contexto ao qual a criança está inserida e às relações que ela estabelece ao seu redor, não isenta a escola da responsabilidade de lidar com a família e orientá-la a fim de melhor conduzir a situação. "Em muitos casos, temos pais perdidos e que realmente necessitam de orientação; às vezes, a escola é a única possibilidade para esses pais. Daí a preocupação de estarmos sempre atentos ao comportamento dos alunos a fim de informar a família sobre qualquer anormalidade e propor alternativas de solução", argumenta.


