Pílula de terceira geração
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Mary Persia Agência Estado 
Pílulas, DIU, injeções, implantes subcutâneos e outros. Recentemente, a mulher brasileira ganhou mais uma opção nesta seara de contraceptivos. Lançada no ano passado no exterior e em março último no Brasil, uma pílula anticoncepcional composta apenas por desogestrel, uma progesterona sintética de terceira geração, promete ser mais eficaz e trazer mais vantagens do que suas concorrentes combinadas, que misturam estrógeno e progesterona sintéticos.
Contraceptivos que utilizam apenas progesterona não são novidades. Há, no mercado, injeções, implantes e mesmo pílulas no caso, as micropílulas que seguem a mesma linha. A diferença está no público que o produto, comercializado no Brasil com o nome de Cerazette, pretende atingir. São mulheres que não encaram com bons olhos intervenções cirúrgicas, mesmo que mínimas, não se dão bem com as pílulas combinadas e tampouco se encaixam no perfil adequado para utilizar a micropílula, desenvolvida para o período de amamentação.
Desta última, a nova pílula guarda ainda a vantagem de ser mais segura. A micropílula age mais no colo do útero, espessando seu muco para dificultar a locomoção do espermatozóide, do que na inibição da ovulação. Já o Cerazette, por carregar uma dose maior de hormônio, atua com mais ênfase na cessação do ciclo. Assim, a mulher não ovula e não engravida, conclui Cristina Guazzelli, professora-doutora da Universidade Federal de São Paulo. A pílula também pode ser usada durante a fase de amamentação, pois não interfere na qualidade do leite.
Outra vantagem, esta em relação às combinadas, está ligada aos efeitos colaterais. Diminuição da tensão e sensibilidade nos seios, provocadas pelo estrógeno, segundo o fabricante, não acontecem com as mulheres que tomam o novo medicamento.
Sem incomôdos Mulheres que sofrem antes ou durante a menstruação, com TPM (tensão pré-menstrual), fluxo ou cólicas excessivas, também podem se beneficiar do uso do novo contraceptivo. Isso porque grande parte das mulheres que aderiram à pílula com desogestrel tem diminuição do fluxo ou mesmo deixam de menstruar. Para hipertensas, diabéticas, lúpicas, pacientes com doenças vasculares e fumantes, é um fator importante, destaca Cristina.
Claudete Rejane Mello, vice-presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná, adverte, no entanto, que nem tudo são flores. No início do uso, a mulher pode sofrer irregularidade menstrual, assim como acontece com os implantes subcutâneos e os anticoncepcionais injetáveis, explica. Mas, depois, a tendência é mesmo de diminuição do fluxo, pondera.
Apesar de representar um avanço na história das pílulas anticoncepcionais, o Cerazette (produzido pelo laboratório Organon) não veio para substituir outras pílulas. Um novo método nunca chega para tomar o lugar de outro. A contribuição é no sentido de ampliar a oferta, ressalta Cristina. Os especialistas alertam também que como qualquer outro medicamento, é preciso consultar um médico antes de substituir um anticoncepcional por outro.


