Já vai longe o tempo em que se ouvia (e se concordava) que mulher na cozinha era cozinheira e homem era chef. Isso foi numa época em que só os homens trabalhavam e as mulheres ficavam apenas com os afazeres domésticos. Época também em que só eles levavam fama pelos pratos que inventavam e o mundo inteiro saboreava.
Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, houve uma debandada geral da cozinha. Nada de aprender desde menina a fazer arroz, feijão e bife. A educação tinha mudado e, ao invés das prendas domésticas, elas queriam mesmo é saber de novidades tecnológicas e outros assuntos até então restritos ao mundo masculino.
Os anos passaram, elas se firmaram em suas profissões, conseguiram sucesso em suas carreiras e, quem diria, voltaram seus olhos novamente para a cozinha. Se antes, ser chamada de piloto de forno e fogão era motivo de constrangimento, hoje quem consegue ter uma carreira culinária é sinônimo de orgulho profissional.
Com o casamento, Renata Chineze ganhou não só o marido, como também uma cozinha que chega a ter 20 funcionários em grandes eventos. Há oito anos, ela é responsável pela elaboração do cardápio do bufê da família. ''Testo as receitas em casa antes, viajo para fazer cursos e conhecer novos restaurantes'', conta Renata. ''Eu sempre gostei de cozinhar, mas nunca imaginei que faria isso'', explica.
O sucesso de seus pratos servidos em festas, jantares e casamentos fez com que Renata passasse a receber pedidos e mais pedidos para ensinar o que sabia. Desde 2000, ela vem dando aulas de culinária com as receitas campeãs do bufê. Para se dar bem na cozinha, a dica da professora-chef é ''gostar do que faz e ter muita criatividade''.
''Na gastronomia, é possível transformar receitas e inventar. Já na confeitaria é preciso seguir sempre as receitas, pesar tudo'', explica Renata, justificando sua opção por pratos salgados. E na parte ''corrida'' da culinária, Renata e o batalhão de funcionários já chegaram a servir três mil pessoas numa mesma noite.
Referência Em um dia de muito movimento, o restaurante da Arel Clube Alemão chega a receber 300 pessoas para o almoço. Quem sabe todos os números é a nutricionista Silvia Helena Ribeiro Lima. Ao lado da irmã e sócia, a também nutricionista Maria Fernanda, Silvia Helena comanda não só restaurante como o bufê Pimenta Rosa.
Há três anos, as duas conseguiram vencer a concorrência para tomar conta do restaurante do clube. ''Nós tínhamos experiência apenas com cozinhas industriais'', lembra Silvia. ''Mas o nosso currículo contou mais do que o de gente que até já tinha restaurante'', conta.
''Na faculdade, não aprendemos a cozinhar, mas estamos sempre indo atrás de cursos e participando de eventos como o Boa Mesa, de São Paulo'', avisa. ''Nossas receitas têm qualidade e valor nutricional'', explica. ''Mas carinho e amor são os ingredientes importantes'', completa a nutricionista, que chega na cozinha do restaurante às 7h30 para dar início aos preparativos do almoço. E quando o assunto é ensinamento culinário, o nome de Myriam Setti é sempre uma referência. A escola que leva seu nome tem dois anos e tem revolucionado a vida de muitos alunos. Gente que nunca tinha pisado numa cozinha e hoje prepara pratos requintados fazem parte dessa história que começou quando Myriam ainda era criança. ''Sempre gostei de cozinha, apesar da minha mãe não cozinhar nada'', lembra. ''Eu só não sabia que seria dando aulas que eu me realizaria. As três horas diárias que passo aqui na escola são a minha realização'', garante a professora.
Um dos cursos oferecidos pela escola é o básico tradicional, para aprender a fazer arroz, feijão e bife. As primeiras turmas eram formadas exclusivamente por mulheres. No ano passado, tive duas turmas só de homens'', conta. ''Mas também tem muitas meninas vindo até a escola. A mentalidade agora está diferente. Elas não aprendem agora porque acham que só vão fazer isso, mas sim porque acham que um dia vão precisar'', conta.
No terceiro ano do curso de Nutrição, Myriam planeja trabalhar num segmento que começa a ter adeptos em São Paulo, os hospitais que contratam chefs de cozinha para trabalhar em parceria com seus nutricionistas. Mas antes disso acontecer, ela embarca para Nova York, em maio, para um curso de confeitaria numa das escolas mais conceituadas em ''pastry and baking'' da cidade. n

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