Não há dúvidas de que cães e gatos são os bichos mais procurados na hora de escolher um animal de estimação. Há, porém, quem faça escolhas mais exóticas e prefira ter em casa a companhia de uma cobra ou até de uma iguana, por exemplo. De acordo com a veterinária da clínica Nippovet, Cristiane Sella Paranzini, mesmo demandando menos atenção do que cães e gatos, pets exóticos precisam de cuidados. "O animal silvestre quando está em cativeiro demora mais para demonstrar que está doente, já que na natureza esse é um sinal de fraqueza. Por isso, é importante que o dono observe atentamente o comportamento do animal para conhecê-lo bem e identificar rapidamente quando houver algo de errado", recomenda.
Segundo Cristiane, animais da fauna silvestre brasileira, como papagaios, araras, jiboias e iguanas só podem ser adquiridos com autorização do Ibama. "Esses animais devem ser comprados somente de criadores legalizados. Não adianta comprar no mercado negro e depois tentar regularizar, pois o Ibama não vai legalizar a posse", diz. Os animais adquiridos de criadores legalizados terão, além de nota fiscal, um certificado do Ibama. "Além disso, a venda, exibição e até o transporte desses animais precisam de autorização", complementa a veterinária. Já os animais exóticos, aqueles que não pertencem à fauna brasileira, como o furão e a cacatua, já têm a entrada no País controlada pelo Ibama e também devem ser comprados de forma legalizada.
A veterinária explica que três fatores principais devem ser observados pelos donos de animais silvestres ou exóticos: saúde psicológica, higiene e alimentação. A saúde psicológica, conforme Cristiane, está ligada diretamente - em especial no caso dos répteis - ao ambiente em que os animais serão mantidos. "Este ambiente deve reproduzir o mais fielmente possível a natureza." Já as aves podem ser estimuladas por meio de adestramento e de brinquedos. "O estresse baixa a imunidade desses animais e os deixa mais suscetíveis a doenças", conta.
Ao contrário do que muitos pensam, os animais silvestres e exóticos percebem o carinho e cuidado do dono. "O réptil, mesmo não respondendo, reconhece o dono, sabe quem é que cuida dele", explica a veterinária. "Já as aves interagem mais e são bastante curiosas", acrescenta ela.
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Jiboia O que come: é um animal carnívoro que se alimenta de presas inteiras, que podem ser desde ratos até coelhos, dependendo do tamanho do animal. Ambiente: devem ser mantidas em terrários que reproduzam o mais fielmente possível a natureza. Esses ambientes também devem ter a temperatura controlada. "Quem for usar lâmpadas ou pedras de aquecimento precisa proteger esses itens e tomar cuidado para que o animal não se queime", recomenda a veterinária Cristiane Paranzini. Curiosidade: assim como os outros répteis, o metabolismo das jiboias é mais ativo em temperaturas mais altas. Por isso, no verão esses animais são mais ativos e se alimentam com mais frequência, enquanto no inverno podem deixar de se alimentar e até entrar num estado de "quase" hibernação.
Furão O que come: é carnívoro e pode ser alimentado com ração de gato de altíssima qualidade, de preferência para filhotes. Ambiente: esse animal tem hábitos noturnos, por isso, a veterinária recomenda deixá-lo preso na gaiola durante o dia, descansando, e solto pela casa durante a noite, mas sempre com supervisão. Redes e tocas também ajudam a enriquecer o ambiente. "Como eles são muito curiosos é preciso tomar cuidado com os canos", alerta a veterinária. Curiosidade: o furão deve ser vacinado anualmente contra cinomose e raiva. Além disso, ele já vem castrado dos Estados Unidos, seu país de origem.
Papagaio O que come: existem rações peletizadas específicas para a espécie. Já as sementes devem ser dadas apenas duas vezes por semana e não substituem as rações. "As pessoas têm o hábito de dar girassol, mas não é indicado, já que tem muito óleo e poucos nutrientes", explica Cristiane Paranzini. As frutas também são indicadas, conforme a veterinária. "Só é preciso tomar cuidado com as polpas do melão e da melancia, que podem intoxicar o animal. Neste caso, é recomendado dar somente a casca e a semente. Já as outras frutas são liberadas." Ambiente: pode ser mantido em gaiolas com outros papagaios, mas nunca com aves de outra espécie. A recomendação da veterinária é manter a higiene do local sempre em dia e nunca deixar a gaiola próximo a algum tipo de fumaça. "Fumacê, cigarro ou até fumaça de panelas são prejudiciais e podem abalar o sistema respiratório dos papagaios." Curiosidade: essas aves são muito inteligentes e podem ser adestradas. A dica da veterinária é apostar nisso e nos brinquedos disponíveis no mercado para estimular os animais.
Iguana O que come: na juventude tem uma alimentação mais proteica do que vegetal. Já as iguanas mais idosas se alimentam de vegetais e precisam de uma suplementação de cálcio. "O ideal é dar verduras verde escuras, já que as claras como a alface têm muita água, podendo provocar diarreia, além de ter menos valor nutricional", diz a veterinária. Ambiente: assim como as jiboias, devem ser mantidas em terrários que reproduzam seu ambiente natural. As iguanas gostam de escalar, por isso, incluir galhos nesse ambiente é uma boa opção. Curiosidade: animais silvestres como a iguana e a jiboia não devem ser mantidos junto com outros animais. Segundo a veterinária Cristiane Paranzini, também não é recomendado ter cães e gatos na mesma residência. "Só o cheiro desses animais já é estressante para eles, sem contar que acontecem muitos acidentes."
Fonte: Cristiane Sella Paranzini, da Nippovet.