Pesquisa de base
Angela Raizer Barbosa
Eles são a base de tudo. Carregam nosso corpo desde que aprendemos a andar, seja ele pesado ou leve, jovem ou velho. Mesmo assim, os pés são uma das partes da anatomia humana que, literalmente, andam muito esquecidos, ou melhor, andavam até surgir o I Projeto Achilles, pesquisa realizada pela Janssen-Cilag, empresa do grupo Johnson & Johnson, em parceria com a Academia Européia de Dermatologia e Venerologia, Sociedade Européia de Unhas e Sociedade Brasileira de Dermatologia. O levantamento foi feito em 98 e os resultados foram divulgados agora.
Os resultados do trabalho demonstram o que se passa nos pés dos brasileiros: das mais de 33 mil pessoas examinadas em consultórios de 23 estados brasileiros, 52% apresentaram suspeita clínica de doença nos pés, 62,8% das suspeitas clínicas encontradas foram de infecções fúngicas, 57,6% das suspeitas desse tipo de infecção envolviam as unhas. A onicomicose e a micose dos pés são predominantes entre as infecções fúngicas.
Do total de entrevistados, 46% eram homens e 54%, mulheres. Desses números, 36% dos homens apresentaram suspeitas clínicas de infecção fúngica nos pés, enquanto que nas mulheres os índices foram de 29,4%. Cerca de 64% dos examinados apresentaram algum hábito que poderia ser considerado um fator agravante para esses problemas e, entre estes, 7,31% tinham precedentes de diabetes na família e 14,13% foram considerados obesos esses dois fatores podem ser determinantes para o desencadeamento de infecções nos pés. Isso mostrou que a frequência de infecções fúngicas nos pés dos brasileiros é muito alta, diz Sérgio Bartczak, diretor médico da Janssen-Cilag.
Embaraço Foi a primeira vez que uma pesquisa desse tipo chegou ao continente americano. O objetivo foi alertar a população para o perigo de doenças nos pés e orientá-la a tomar as devidas precauções quando esses problemas forem constatados. O Brasil não tinha nenhuma estatística sobre doenças que acometem os pés, por isso a importância dessa pesquisa inédita, afirma Clarisse Zaitz, chefe do Serviço de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Durante a semana que aconteceu a pesquisa do Projeto Achilles, dermatologistas e clínicos gerais fizeram exames adicionais nos pés de seus pacientes regulares, que procuravam seus consultórios por outras razões. Daí a importância de os médicos examinarem os pés dos pacientes, mesmo se não houver queixas. Um grande número de pessoas não percebe que seus pés estão com problemas. Às vezes, os pacientes ficam embaraçados e não querem falar sobre o assunto quando visitam o médico para fazer um check-up.
Isso pode desencadear outras doenças mais graves a longo prazo, observa Clarisse Zaitz.
Entre os fatores que, geralmente, estão vinculados às doenças nos pés estão a obesidade, doenças vasculares, problemas de pele, diabetes e artrite. O Brasil nunca teve dados comprovados, mas pesquisas internacionais revelam que de 2% a 5% da população têm problemas nessa região do corpo; de 89% a 95% dos casos não são tratados, correspondendo a aproximadamente 4,5 milhões de pessoas, chamadas de pacientes ocultos. Os resultados levantados no Brasil são semelhantes aos resultados obtidos há dois anos numa pesquisa similar na Europa, ressaltando que a suspeita clínica de infecção fúngica foi consideravelmente maior 62,84% no Brasil e 35% na Europa. O Projeto Achilles formalizou os números brasileiros para possíveis publicações em congressos nacionais e internacionais.
Fontes: Anais Brasileiros de Dermatolgia, publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e Janssen-Cilag/Johnson & Johnson.Levantamento inédito da Johnson & Johnson mostra que 52% das pessoas examinadas apresentam suspeita clínica de doença nos pés
Foto: Carmen Kley; modelo: Gisele Cansine (CDI Models)Projeto Achilles alerta os brasileiros para o perigo de doenças nos pésFrequência de infecções fúngicas nos pés dos brasileiros é muito alta, diz Sérgio Bartczak, diretor médico da Janssen CilagDivulgaçãoO Brasil não tinha nenhuma estatística sobre doenças que acometem os pés, por isso a importância dessa pesquisa, afirma a dermatologista Clarisse Zaitz





