O processo de ensino e aprendizagem envolve inúmeros fatores, mas nem sempre todos eles recebem a atenção necessária na hora de escolher qual a melhor metodologia de ensino para crianças e adolescentes. Seu filho é considerado preguiçoso ou desinteressado? Pode ser que o método de ensino no qual ele está inserido não seja o mais adequado ao seu tipo psicológico. "Nos ambientes escolares, os processos de ensino-aprendizagem e as concepções pedagógicas atuais são desfavoráveis para o tipo psicológico que se utiliza mais da função intuitiva. Pois este indivíduo precisa de um tempo para consolidar a sua aprendizagem", analisa a psicóloga junguiana Sonia Lunardon Vaz.

Mas como descobrir qual o tipo psicológico de cada um? "Os tipos psicológicos, segundo Carl Gustav Jung, são definidos pelas atitudes do individuo que podem ser extrovertida ou introvertida e incluem as quatro funções da psique: pensamento e sentimento; sensação e intuição. A combinação desses elementos perfaz a tipologia psicológica do sujeito", explica Sonia.

De acordo com a psicóloga, pensamento e sentimento são funções racionais, ligadas à razão por serem funções de julgamento. "Enquanto o pensamento julga de modo a olhar a situação de fora, sem se envolver emocionalmente, o sentimento julga de modo bastante pessoal e completamente envolvido com os afetos." Já sensação e intuição são funções psíquicas da ordem dos instintos, que envolvem a percepção. "Se acaso a percepção é mais sensitiva, o indivíduo percebe os detalhes e sua organização é impecável, podendo se apresentar de modo metódico. Enquanto se a percepção for intuitiva, o indivíduo estará mais interessado para onde vai esse algo e de onde ele partiu", exemplifica.

Para Sonia, é preciso compreender as necessidades de aprendizagem de cada tipo psicológico para que crianças e adolescentes tenham sucesso no meio escolar. "Nossa sociedade latina se organiza mais pelo tipo psicológico sentimental/sensação com a atitude extrovertida. O aluno sensitivo aprende acertando, errando e corrigindo. Já o aluno intuitivo precisa de um tempo para fazer o projeto em sua 'tela mental'", diz. "Na aprendizagem eles se darão bem com tudo o que for da ordem do imaginário como contar histórias e apresentar números através de imagens, por exemplo. Para que ele compreenda uma situação, crie a informação em forma de história", complementa.

Além disso, a psicóloga alerta para o perigo de estigmatizar crianças e adolescentes com funções psíquicas ligadas à intuição como pessoas desinteressadas e preguiçosas, no caso das introvertidas; ou como hiperativas, no caso das extrovertidas. "A criança e o adolescente podem acabar acreditando nessas falsas impressões. Os intuitivos se interessam pelo mundo imaginário e na falta de opções podem acabar criando um caminho alternativo desolador como o das drogas".

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Psicóloga alerta para o perigo de estigmatizar crianças e adolescentes com funções psíquicas ligadas à intuição como pessoas desinteressadas e preguiçosas
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