Não é fácil saber com exatidão quando ela começou. O fato é que os biquínis ficaram menores, a garota achou que o pêlo estava incomodando e decidiu passar a gilete. Depois disso, os pêlos nunca mais foram os mesmos, crescendo cada vez mais espessos e escuros.
Sempre antes do verão, a correria é a mesma. Depilação com cera, papelotes, laser, gilete ou com aparelhos elétricos. Perna peluda, jamais. Mas será que este processo é mesmo saudável? De acordo com os dermatologistas, nem tanto. A explicação é uma só. Sempre tivemos os pêlos e, portanto, eles com certeza têm alguma utilidade. Qual? ‘‘Basicamente a de proteção’’, explica o dermatologista Sérgio Tarlé, de Curitiba. ‘‘O pêlo faz parte de um complexo chamado folículo pilo sebáceo. Ou seja, do folículo, ele passa por uma glândula responsável pela produção de uma espécie de óleo lubrificante, que é levado até a superfície da pele. Quando o pêlo é retirado, o processo é interrompido, provocando o ressecamento’’.
Mas como ninguém é de ferro e como o processo já foi iniciado, não tem mais volta. A depilação passou a ser uma espécie de mal necessário. Isto porque o pêlo vai crescendo cada vez mais espesso e, se não for arrancado, pode provocar inflamações. ‘‘É a chamada foliculite’’, esclarece Tarlé. ‘‘Tudo começa com o pêlo encravado. Ele evolui para nódulos e cicatrizes que nem sempre desaparecem com facilidade. O ideal seria que a depilação não fosse feita. Mas já que é preciso, o importante é fazê-la definitivamente’’.
Mauro FrassonSegundo a dermatologista Maria Frantzezos Kotzias, três sessões no Light Sheer podem resolver o problemaAssim, o mais recomendável segundo o especialista, são os métodos da eletrólise e da depilação a laser, que podem destruir o bulbo piloso definitivamente, impedindo o crescimento de novos pêlos. ‘‘O único problema é que o custo deles é bem mais elevado do que o dos outros métodos’’, comenta o dermatologista. ‘‘O processo é demorado, trabalhoso. Mas compensa porque as complicações são evitadas. Tem gente que faz depilação com cera ou com gilete e não tem o menor problema. Tudo vai depender da pessoa. Do tipo de pele e da resistência’’.
Mas valem aí alguns alertas. A depilação é um processo individual. Ou seja, a gilete não deve ser reaproveitada por mais de uma pessoa, assim como a cera. ‘‘Tanto uma quanto outra, que ficam lá paradas por algum tempo, servem de meios de cultura. Se forem usadas por alguma pessoa que tenha infecção e depois reutilizadas por outra, podem transmitir facilmente a doença’’.
E aí entram também as cicatrizes. De acordo com Tarlé, qualquer método, sendo malfeito, pode deixar cicatrizes. Como é o caso de uma cera muito quente, por exemplo. ‘‘Não que as queimaduras sejam muito comuns’’, esclarece. ‘‘Mas que existe o perigo, existe. É só você bobear...’’ Engana-se quem pensa que os cuidados acabam por aqui. Sem os pêlos, o ressecamento da pele pode desenvolver uma sensibilidade alérgica, com coceiras intensas. Sendo importante também um bom ritual de hidratação pós-depilatório.Marcelo AlmeidaO dermatologista Sérgio Tarlé alerta para o perigo da foliculiteVivian de Albuquerque

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