Perigo na mamadeira
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Laís Cattassini<BR>Agência Estado 
"Qual a mãe que iria optar por um produto que pudesse ameaçar a saúde de seus filhos?", questiona a administradora de empresas Vivian Azanha, de 30 anos. Mãe de Gabriel, de 2 anos, Vivian é uma das mães blogueiras que aderiu a uma campanha contra o bisfenol A, uma substância tóxica presente no policarbonato, plástico usado em mamadeiras.
Segundo estudos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo (SBEM-SP), o bisfenol age como um hormônio sintético e sua ingestão pode provocar câncer, diabete, obesidade, infertilidade e outras doenças. São os bebês os mais vulneráveis aos efeitos do produto. Para conscientizar as mães e a população sobre as ameaças desse tipo de plástico, a SBEM também planeja uma campanha sobre o assunto.
"Pretendemos esclarecer a população. Não é para abolir o plástico como um todo, mas educar para que as pessoas entendam como aquele recipiente pode liberar o bisfenol", explica a endocrinologista da SBEM e conselheira do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Ieda Therezinha Verreschi.
O bisfenol já é proibido em três países: Canadá, Costa Rica e Dinamarca. Nos Estados Unidos, pelo menos quatro estados também já proibiram a fabricação de mamadeiras com o policarbonato. A discussão internacional chamou a atenção da tradutora Fabiana Dupont, 38. Com uma amiga, ela começou a divulgar na internet um selo para alertar mães. "Já são cerca de 50 blogs com o selinho contra o bisfenol. Nosso objetivo é movimentar as pessoas e chamar a atenção das autoridades."
A jornalista Tanise Dutra, de 33 anos, reconheceu a importância da campanha e acrescentou o selo a seu blog. "Foi a primeira vez em que ouvi falar do assunto. Fui procurar saber se os produtos que eu usava tinham bisfenol. Fiquei aliviada em saber que não. Mas muitas mães compram mamadeiras mais simples e não têm outra opção", diz a mãe de Sofia, de 1 ano e meio.
A campanha também chamou a atenção de Vivian. "Mudamos alguns hábitos após descobertos os riscos. Não utilizamos embalagens plásticas para aquecer alimentos em micro-ondas e também passamos a evitar o uso de copos e outros utensílios fabricados com esse material".
Para a SBEM, o bisfenol é arriscado mesmo em poucas quantidades. "Por ser um hormônio sintético, a metabolização é mais difícil. Ainda mais se for absorvida em algum período decisivo para o desenvolvimento, como a infância ou a adolescência", afirma Ieda.


