Perigo na dose
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
Da Editoria 
Na ilusão de perder peso sem sacrifício, milhares de pessoas acabam recorrendo aos mais diversos medicamentos. Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) mostram que, em 2002, o Brasil consumiu 19 toneladas de substâncias como o fenproporex, anorexídeo mais usado em fórmulas para emagrecer. Sessenta por cento de todo o fenproporex produzido no mundo é consumido no Brasil. Também segundo o Cebrid, 60% dos usuários de remédios para emagrecer não são obesos.
O problema está no uso dos medicamentos sem acompanhamento médico e explicações claras do uso de cada substância. E é aí que o farmacêutico pode fazer a diferença. Os médicos prescrevem receitas para as farmácias de manipulação que contém anfetaminas, calmantes, laxantes, diuréticos e até ativadores da função da tireóide em cápsulas separadas. Quando tomadas juntas, essas substâncias são uma verdadeira bomba-relógio para o organismo, alerta a farmacêutica Rosângela Chammé.
Efeito contrário Os princípios ativos, segundo a farmacêutica, têm ações contrárias e, se tomados ao mesmo tempo, provocam uma sensação de confusão mental. Os anorexídeos tiram a fome e provocam agitação na pessoa, enquanto que o calmante age para diminuir a ansiedade. Para evitar maiores efeitos colaterais o ideal é tomar as cápsulas em horários diferentes. O intervalo é necessário para que o organismo assimile uma ação de cada vez, orienta.
Segundo a farmacêutica, o horário recomendado para tomar as cápsulas com anorexídeos é às 10 da manhã e às 16 horas. Os calmantes devem ser ingeridos duas horas depois dos anorexídeos e, à noite, uma hora antes de dormir.
O farmacêutico tem obrigação de explicar isso para garantir a eficácia do tratamento e o bem-estar do consumidor, o que muitas vezes não acontece. Essas fórmulas devem ser indicadas somente em casos de obesidade, por um período restrito e com um controle também muito restrito. Faz parte da assistência farmacêutica indicar horários e as contra-indicações das substâncias, sejam em fórmulas industrializadas ou nas manipuladas. O tratamento deve ter o acompanhamento médico por 3 a 6 meses. É necessário também fazer o desmame do medicamento, diminuindo as doses ou concentrações a fim de manter os resultados, afirma Rosângela.
A farmacêutica, que manipula cerca de 200 fórmulas de emagrecimento por mês, aconselha os usuários a terem cautela na hora de comprar um medicamento. Em se tratando de obesidade, não existem fórmulas mágicas, nem soluções imediatas. O indivíduo deve estar ciente que para conseguir um resultado duradouro e satisfatório à saúde, deve consumir apenas medicamentos com receita médica e, em caso de fórmulas manipuladas, procurar uma farmácia de confiança, onde o farmacêutico oriente sobre o uso correto da medicação. No mais é mudança de comportamento com a correção de hábitos alimentares e o aumento do gasto energético, através de exercícios físicos, acrescenta.


