Na ilusão de perder peso sem sacrifício, milhares de pessoas acabam recorrendo aos mais diversos medicamentos. Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) mostram que, em 2002, o Brasil consumiu 19 toneladas de substâncias como o fenproporex, anorexídeo mais usado em fórmulas para emagrecer. Sessenta por cento de todo o fenproporex produzido no mundo é consumido no Brasil. Também segundo o Cebrid, 60% dos usuários de remédios para emagrecer não são obesos.
  O problema está no uso dos medicamentos sem acompanhamento médico e explicações claras do uso de cada substância. E é aí que o farmacêutico pode fazer a diferença. ‘‘Os médicos prescrevem receitas para as farmácias de manipulação que contém anfetaminas, calmantes, laxantes, diuréticos e até ativadores da função da tireóide em cápsulas separadas. Quando tomadas juntas, essas substâncias são uma verdadeira bomba-relógio para o organismo’’, alerta a farmacêutica Rosângela Chammé.
Efeito contrário Os princípios ativos, segundo a farmacêutica, têm ações contrárias e, se tomados ao mesmo tempo, provocam uma sensação de confusão mental. ‘‘Os anorexídeos tiram a fome e provocam agitação na pessoa, enquanto que o calmante age para diminuir a ansiedade. Para evitar maiores efeitos colaterais o ideal é tomar as cápsulas em horários diferentes. O intervalo é necessário para que o organismo assimile uma ação de cada vez’’, orienta.
  Segundo a farmacêutica, o horário recomendado para tomar as cápsulas com anorexídeos é às 10 da manhã e às 16 horas. Os calmantes devem ser ingeridos duas horas depois dos anorexídeos e, à noite, uma hora antes de dormir.
  O farmacêutico tem obrigação de explicar isso para garantir a eficácia do tratamento e o bem-estar do consumidor, o que muitas vezes não acontece. ‘‘Essas fórmulas devem ser indicadas somente em casos de obesidade, por um período restrito e com um controle também muito restrito. Faz parte da assistência farmacêutica indicar horários e as contra-indicações das substâncias, sejam em fórmulas industrializadas ou nas manipuladas. O tratamento deve ter o acompanhamento médico por 3 a 6 meses. É necessário também fazer o ‘‘desmame’’ do medicamento, diminuindo as doses ou concentrações a fim de manter os resultados’’, afirma Rosângela.
  A farmacêutica, que manipula cerca de 200 fórmulas de emagrecimento por mês, aconselha os usuários a terem cautela na hora de comprar um medicamento. ‘‘Em se tratando de obesidade, não existem fórmulas mágicas, nem soluções imediatas. O indivíduo deve estar ciente que para conseguir um resultado duradouro e satisfatório à saúde, deve consumir apenas medicamentos com receita médica e, em caso de fórmulas manipuladas, procurar uma farmácia de confiança, onde o farmacêutico oriente sobre o uso correto da medicação. No mais é mudança de comportamento com a correção de hábitos alimentares e o aumento do gasto energético, através de exercícios físicos’’, acrescenta.

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