A maioria das pessoas pensa que o lugar mais seguro para ficar e deixar os filhos é a casa onde moramos. Mas mesmo no aconchego do lar convivemos com inimigos e riscos que parecem não existir. São os produtos de limpeza, fundamentais para a higiene, mas perigosos para a saúde se não forem comprados, usados e armazenados corretamente.
Para se ter uma idéia, cerca de 15% dos casos de intoxicação atendidos pelo Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário de Londrina foram decorrentes de produtos de uso doméstico. ''Geralmente, os acidentes acontecem com crianças entre zero e cinco anos, que são muito curiosas, têm o hábito de levar tudo à boca e não sabem distinguir o que é permitido e o que é proibido de ser ingerido ou manuseado'', diz a farmacêutica e coordenadora do CCI, Conceição Turini.
Segundo o professor de química Olívio Fernandes Galão, a maioria dos casos não leva à morte, mas algumas substâncias podem causar danos irreversíveis para o organismo. ''Os mais perigosos de todos são a soda caústica e a água sanitária. A soda, se ingerida, pode corroer as paredes do esôfago e fechar a entrada do órgão, enquanto que o cloro da água sanitária, quando inalado, pode invadir o pulmão, que vai formar água para se proteger e causar um edema'', afirma. ''Como esses produtos têm gosto ruim, as crianças acabam cuspindo e ingerindo pouca quantidade. Mas, dependendo da substância, uma pequena quantia é suficiente para dar problemas'', diz Conceição.
Armazenamento De acordo com ela, o problema maior está na forma como as pessoas guardam produtos como detergentes, sabões e desinfetantes em casa. ''Muitas vezes, eles acabam ficando embaixo da pia da cozinha ou em algum armário sem segurança. O ideal é deixá-los em algum lugar alto e com tranca, para que as crianças não consigam alcançar. Outra atitude errada é armazenar esses produtos em recipientes utilizados para alimentos, como garrafas de refrigerante ou potes de maionese. A criança grava que aquele vasilhame contém comida e, quando encontrá-lo, irá beber ou comer o que estiver dentro'', alerta.
O professor de química aconselha as pessoas a não comprarem produtos fabricados em fundo de quintal. ''Além de não terem a embalagem correta, eles geralmente possuem formol como conservante, que é altamente tóxico. Eles não têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também não são garantia de economia, pois são menos potentes que os produtos de mercado e o consumo acaba sendo maior'', comenta.
Já as irritações de pele, apesar de mais comuns, são menos perigosas. ''Praticamente todo produto irrita a pele. Os casos mais comuns são com a água sanitária, que destrói a pele se utilizada por muito tempo, e os detergentes, que retiram as proteínas da pele. O ideal é sempre usar luvas quando for manusear esses produtos'', ensina Galão.
Caso algum acidente aconteça, seja ingestão, inalação ou contato com a pele, olhos ou mucosas, Conceição Turini lembra que é importante levar a pessoa até um hospital, para que se possa avaliar os danos causados. Em casos de emergência, o CCI tem um telefone 24 horas (43) 3371-2244 que pode ajudar as pessoas a agir nos momentos iniciais. ''O tratamento vai depender do tipo de produto envolvido, o meio utilizado e a quantidade. Mas procurar um hospital é fundamental em qualquer caso'', alerta.


Saiba como agir
-Em caso de ingestão: geralmente os produtos de limpeza são irritantes e causar o vômito, ou contrário do que muita gente pensa, pode não ser a melhor solução. O produto vai voltar e irritar ainda mais o esôfago, garganta e boca, além do risco de aspiração em crianças muito pequenas, que pode causar pneumonia. A ingestão de leite também não é recomendável para todos os produtos, que podem ser solúveis em leite e serem mais absorvidos pelo organismo.
qEm caso de contato com pele, olhos ou mucosas: o ideal é lavar bem o local atingido com água corrente e sabão por 20 ou 30 minutos, sem esfregar. O uso de colírios, pomadas ou outro medicamento só pode ser feito sob indicação médica.
qEm caso de inalação: Se a pessoa começar a ter falta de ar devido à inalação de algum produto, é importante afrouxar as roupas e levá-la para um lugar arejado. Em todos os casos, procurar um hospital é fundamental para garantir a segurança total. (H.F.)

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