Os números são assustadores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 7% da população mundial é portadora de algum tipo de perda auditiva. No Brasil, estima-se que o problema atinja 15 milhões de pessoas e 10% das crianças na faixa etária de 6 a 8 anos, comprometendo o aprendizado e a integração social. Dados do censo realizado em 1996 pelo IBGE revelam que a surdez é a segunda maior deficiência citada pelos entrevistados.
No maior hospital da América Latina, o Hospital das Clínicas, em São Paulo, os problemas relacionados ao ouvido, nariz e garganta estão classificados em segundo lugar se comparados a outros atendimentos realizados no complexo HC. O número de especialistas em otorrinolaringologia atuantes no País também é assustadoramente baixo: apenas cinco mil médicos exercem a profissão, 80% deles concentrados no eixo Rio/São Paulo.
O número de pessoas afetadas pela deficiência auditiva está proporcionalmente relacionado ao grau de desenvolvimento do País. No Brasil, os enormes contrastes regionais – condições sócio-econômicas, diferenças culturais, hábitos de higiene, estados nutricional e imunológico da população, e, principalmente, a falta de informações sobre o problema – distanciam ainda mais o País das nações do Primeiro Mundo. Aqui, a rubéola materna contraída durante a gravidez, é uma das principais causas da surdez congênita, podendo afetar 14% dos recém-nascidos. Outros fatores são as chamadas doenças da infância (sarampo, coqueluche, caxumba e meningite), traumatismos sonoros ou físicos e problemas no ouvido médio (otites e líquido no ouvido médio).
Inimiga desconhecida A surdez não é visível a olho nu, não é esteticamente negativa. Mas, em geral, as pessoas com esse problema enfrentam preconceitos e se tornam socialmente marginalizadas. A surdez acaba sendo psicologicamente repulsiva, já que a perda auditiva interfere fatalmente na condição mais importante da vida humana: a comunicação. Cegos e outros deficientes já contam com meios de comunicação e locomoção adaptados e adequados e muitos conseguem ocupação profissional e integração social. Isso, contudo, não se repete com os surdos.
Diagnosticada a tempo, a perda auditiva pode ser revertida, ou pelo menos atenuada, de forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida aos portadores da deficiência. É dentro deste contexto que será realizada neste ano a terceira edição da campanha ‘‘Quem ouve bem, aprende melhor’’, iniciativa da Sociedade Brasileira de Otologia e Fundação de Otorrinolaringologia, com apoio do Governo Federal. O objetivo maior do programa, inédito no gênero no mundo, é diagnosticar problemas auditivos em crianças em idade escolar, garantindo a elas tratamento médico adequado. No ano passado, o projeto atingiu 10.532 escolas e 265 mil crianças receberam atendimento médico.

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