Pequenos tiozinhos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Durante as reuniões familiares, Mirella, 3 anos, tem sempre a companhia do Fernandinho, 1 ano e seis meses, para brincar. A pouquíssima diferença de idade entre os dois, possibilita até uma troca constante de brinquedos e comentários de que formam um belo par de irmãos.
Porém, aí é que está a questão. Quando Fernandinho começa a fazer muita bagunça, Mirella já mostra quem é que manda na relação e logo solta uma bronca típica de tia: ''Não pode fazer isso, bebê!''.
É isso mesmo. Com apenas três anos, a baixinha já assume o posto de ser tia do Fernando, mas isso não tem importância nenhuma para os dois, pois ainda não possuem a concepção clara dos graus de parentesco.
Para os pais de Fernando, a convivência entre eles será ainda melhor com o passar dos anos. ''Na adolescência, eles poderão sair juntos e compartilhar das mesmas amizades, mantendo uma relação de proximidade e confiança'', diz a mãe, Fernanda.
É lógico que nem tudo é um mar de rosas. Quando Fernandinho invoca que quer fazer bagunça, nem a bronca da tia é suficiente e aí acontecem as briguinhas. Quando isso acontece, é a vez do pai-avô, Adélcio, entrar em cena.
''Depois de muitos anos, me tornar pai novamente, ao mesmo tempo em que assumi o papel de avô foi um tanto confuso e até assustador. Porém, a vida agora passou a me dar respostas mais prazerosas e momentos completos de felicidade'', diz ele, que não demonstra ter atitudes muito autoritárias com a bagunça dos pequenos, mas, sim, momentos de pai-avô coruja.
Um grude só!
Já na casa de Guilherme Aude quase não tem briga, pois o que o tio fala, a sobrinha encara como uma ordem. E isso tem uma boa explicação: o apego entre eles.
Aos dez anos de idade, Guilherme já assume o papel de tio, ensinando à Lavínia, 2 anos, o nome das figuras do livro infantil e a guardar os brinquedos num só lugar. Além de confessar que divide seus carrinhos preferidos e o videogame com a baixinha. ''Gosto quando ela me chama de tio Gui e faz carinho na minha orelha'', justifica.
Para Elaine, mãe de Lavínia, a relação ganha um vínculo afetivo bem maior pelo fato de não ter mais nenhuma criança na família e afirma que isso faz com que Lavínia deposite muito mais confiança e carinho no tio.
''Percebo que ele acaba se sentindo responsável e ela, protegida. Eles são tão apegados que todos os finais de semana tenho de levá-la para vê-lo. Ele é o verdadeiro companheirinho dela'', comenta.
Convivência legal
Na família dos Pipinos de Paula a bagunça entre primos e sobrinhos é ainda maior. Quem olha os três brincando deduz que são primos ou até irmãos, mas ninguém vai pensar que na verdade, Laura, de apenas 2 anos, é a que tem o poder da palavra, pois é tia do Altair, 3 anos e Beatriz, 4.
De tão pequena, Laura ainda não entende o que isso pode significar, só sabe que os sobrinhos são ótimos companheiros de brincadeiras. Já sua mãe, Claudiana, acredita que a maior vantagem está na hora de compartilhar as mesmas idéias e experiências, já que eles têm pouca diferença de idade.
''Eles se veem com frequência, brincam bastante e vão crescer juntos. Acho que essa convivência só trará fatores positivos, principalmente em termos de companheirismo'', afirma.
Ela conta também que já explicou para a filha que a Beatriz e o Altair não são primos, e, sim, sobrinhos, mas Laura nem quer saber dessa ''responsabilidade'' agora e logo diz: ''Não mamãe, eu sou a Lala e só''.


