Os benefícios de se manter o hábito da leitura já são bem conhecidos: ler melhora o intelecto, evita doenças degenerativas do cérebro, como o Mal de Alzheimer, e aumenta a cultura geral. Mesmo assim, os livros travam uma batalha quase injusta com a televisão e a internet, meios muito mais simples de comunicação e preferidos pela população.
Nesse mundo imediatista, despertar o interesse pela leitura não é tarefa fácil. Segundo os educadores, o ideal é começar desde pequeno, quando as crianças ainda nem descobriram as letras. ''A criança que ainda não sabe ler já é uma leitora de imagens. Com livros bem ilustrados e interativos, ela pode imaginar a história e isso ajuda a criar intimidade com os livros. Não existe uma idade para iniciar. Quanto mais cedo o processo de aproximação com os livros começar, melhores serão os resultados'', diz a assessora do núcleo pedagógico da educação infantil do Colégio Marista, Cristina Nogueira de Mendonça.
Outra atitude que pode tornar os pequenos de hoje grandes leitores no futuro é a contação de histórias. É o que faz a professora de literatura e pesquisadora de leitura Jaqueline Sampaio, que há dois anos conta histórias para crianças nas tardes de sábado, na Livraria Porto do Shopping Catuaí, em Londrina. ''Eu tenho crianças que vêm sempre e é possível perceber nelas uma preocupação no cuidado com os livros. Nós passeamos com as crianças pela livraria e se elas vêem alguém maltratando um livro chamam a atenção'', garante.
Segundo ela, existem várias maneiras de contar uma história, e os pais também podem usar a tática em casa. ''Pode ser uma leitura simples (apenas o conteúdo do livro), participativa (em que a criança interage observando as figuras, opinando sobre a história) ou com teatro (que pode ser feito com fantoches ou pessoas), mas nenhuma precisa ser um show performático. Os pais podem contar histórias em casa sem ser profissionais'', afirma.
''O mais importante é os pais participarem. Ler para a criança é fundamental, mesmo quando ela já consegue ler sozinha. Levar os filhos para bibliotecas e livrarias também ajuda, assim como ler os livros que os filhos lêem, para poder comentar e debater o tema da leitura'', diz Cristina, do Colégio Marista.
No colégio, a leitura é sempre incentivada entre os alunos. Mesmo os menores, que ainda não sabem ler, tem um tempo reservado para o contato com figuras e letras das histórias. ''É a hora da roda da leitura. Cada sala tem um espaço próprio para ler, com uma estante cheia de livros adequados para cada idade. Para incentivar a leitura, os professores usam atividades diversificadas, como contar a história sem revelar o final ou montar uma peça de teatro com os alunos'', explica.
Mesmo para as crianças maiores, a leitura é utilizada de forma prazerosa. ''Nossos alunos levam vários livros, mas não para ser tema de provas. Se o aluno é obrigado a ler para uma avaliação, a leitura passa a ser associada a algo ruim. Fazemos a leitura em grupo e usamos para trabalhos e teatro. O rendimento é avaliado constantemente e não em uma prova escrita'', comenta a assessora psicopedagógica do Marista, Raquel Calil Ruy.
De acordo com ela, a tática funciona bem: os alunos gostam de ler, lêem os livros indicados pela escola e frequentam a biblioteca. ''Os de 5 a 8 séries gostam muito dos livros de mistério e aventura, mas temos alunos que gostam muito dos clássicos também. Acho importante que as crianças tenham contato com esses autores, como os irmãos Grimm e Monteiro Lobato. São histórias muito ricas para as crianças. No ano passado trabalhamos com O Pequeno Príncipe'', conta.
Mas é o trabalho conjunto, a união entre escola e família, que garante de fato o gosto pela leitura nos pequenos. ''Nós nunca teremos bons leitores sem essa união. A escola precisa saber trabalhar melhor os livros propostos e a família precisa incentivar em casa, oferecendo livros e, principalmente dando o exemplo. As crianças aprendem pelo modelo que têm. Se crescem em uma casa onde a leitura é valorizada e os pais são leitores habituais, elas provavelmente farão o mesmo'', garante Raquel.

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