A palavra empreendedorismo virou moda no mundo dos negócios. Toda empresa busca profissionais que sejam decididos, que tomem iniciativas e tenham liderança e criatividade. Nas faculdades de todo o País já existem aulas especiais para ensinar os alunos a ser empreendedores e ter mais chances no mercado. A coisa é tão importante que agora as crianças também estão aprendendo a ser líderes.
A idéia pode parecer extrema para muitos pais, mas, segundo a professora aposentada Maria Genoveva Puccini Belucci, proprietária de uma escola, o 'ser empreendedor' acontece de forma fácil e natural para as crianças. ''É desde pequeno que se cria o profissional habilidoso, criativo e capaz de lidar com os outros, um perfil que as empresas estão procurando'', afirma. Algumas escolas de ensino infantil e fundamental já aplicam esse método novo de ensino, que promete o mesmo aprendizado do conteúdo tradicional das escolas, acrescido do desenvolvimento de outras habilidades e da construção de uma boa auto-estima e caráter.
Aprender na prática Mas como isso acontece no dia-a-dia? Maria diz que um dos pontos principais, que deve ser avaliado pelos pais que buscam uma educação diferenciada para os filhos, é quanto de prática a escola oferece. ''Muitas escolas anunciam que oferecem um método de ensino inovador, mas as crianças continuam sentadas nas cadeiras, copiando tarefas, repetindo atividades e não sentindo prazer em aprender'', alerta.
Um bom exemplo de como o aprendizado com a prática funciona pode ser dado em uma aula de matemática. O aluno aprende a fazer contas, treina as operações de adição e subtração e depois é levado ao supermercado para fazer compras. ''Além de ser um passeio divertido para as crianças, elas podem treinar as quatro operações e descobrir o valor do dinheiro. A criança irá decidir, com a ajuda do professor, o que quer comprar e se o dinheiro será suficiente para isso'', explica.
Para ela, o importante é que o aluno aprenda a aprender. Ela diz que preparar o aluno para o futuro e torná-lo empreendedor, é dar à criança a possibilidade de discutir os mais diferentes assuntos e decidir qual é a melhor maneira de realizar suas tarefas. ''Na escola convencional, o aluno é informado de como deve realizar um trabalho e é penalizado se o faz de forma diferente. Isso diminui a auto-estima da criança e impede que ela crie algo novo'', comenta.
A formação dada aos próprios professores é uma das causas da falta de individualidade que é repassada aos alunos. Maria diz que as faculdades continuam ensinando os futuros professores da mesma maneira que se fazia há 20 anos, de forma repetitiva e pouco inovadora. ''Às vezes, o professor não sabe como tornar a aula mais agradável. Ele não foi ensinado a criar'', diz.
Autoridade Outro erro comum nas escolas é o autoritarismo. Quando um aluno faz algo diferente ou proibido, ele é reprimido e punido, muitas vezes sem explicação alguma. Maria diz que, principalmente com as crianças, é importante que se justifique um não ou uma reprovação qualquer, para que a criança não repita a mesma ação, sabendo o motivo, e não por medo de algum castigo. ''Os funcionários da escola devem ter autoridade e não ser autoritários. Isso deveria acontecer também em casa. O não pelo não dá pouco resultado. Uma boa conversa, em que a criança pode falar o que pensa e entender os motivos do erro, tem um resultado melhor'', ensina.
Mas fazer esse tipo de trabalho não é tarefa fácil. Para que o professor conheça bem cada aluno e tenha condições de ajudá-lo da forma correta, Maria afirma que uma sala deve ter, no máximo, 20 crianças. ''Esse é o grande problema das escolas públicas, onde o professor tem poucos recursos e muitos alunos para atender. Nelas, o ensino tradicional acaba sendo o único possível'', comenta.
Dificuldade Uma equipe de vários profissionais também garante um tratamento mais especial a cada aluno. A existência de um psicólogo, um nutricionista e um fonoaudiólogo pode ajudar o professor a detectar os motivos da mudança de comportamento ou de dificuldade no aprendizado. ''Só as provas não mostram a capacidade e o crescimento do aluno. Muitas vezes, a criança não aprende direito porque não se alimenta bem ou porque tem algum problema psicológico. O professor sozinho não consegue saber o real problema'', acrescenta.
Na verdade, a escola que pretende criar empreendedores não promete formar apenas grandes homens de negócios. A intenção é descobrir o talento natural de cada um e incentivar a criança a crescer. Maria diz que, para isso, os alunos têm aula de arte, música, tecnologia, leitura. Para que cada um descubra aquilo que lhe agrada e aprenda a lidar com o que não lhe é interessante, mas necessário. ''Até Newton foi reprovado em física quando criança. Não porque ele não soubesse o assunto, mas porque seu professor não sabia como lidar com suas capacidades. A escola de hoje deve ser capaz de lidar com o talento e as fraquezas de cada aluno'', argumenta. n

mockup