Já vai longe o tempo em que infância era somente sinônimo de brincadeiras e despreocupação. A competitividade do mercado de trabalho tem feito com que os pequenos comecem cedo a enriquecer o currículo. O inglês, ferramenta indispensável em qualquer profissão, deixou de ser atividade extra apenas para os adolescentes. É cada vez mais comum encontrar escolas que oferecem cursos para crianças que ainda nem aprenderam a escrever.
  Afinal, qual a idade certa para matricular as crianças em um curso de inglês? Segundo Vera Laurenti Bianchini, coordenadora do departamento pedagógico da Fisk nacional, a infância favorece o aprendizado. ‘‘Até completar 10 anos, as crianças são mais maleáveis e receptivas para adquirir conhecimento. Na infância, o aprender é algo muito gratificante e os pequenos têm prazer pelas descobertas’’, diz, ressaltando que é importante que os cursos saibam trabalhar de acordo com a faixa etária dos alunos para não sobrecarregá-los.
  A escola oferece cursos para crianças a partir de quatro anos de idade. ‘‘O foco nessa fase é a comunicação. Trabalhamos muito a prática oral e a compreensão. Os alunos têm um material de apoio, mas ele é muito lúdico, com atividades de coordenação motora, como ligar pontos, colorir’’, diz o professor da Fisk Londrina, Elton Rocha. Outra metodologia que, segundo ele funciona com os alunos, é falar o tempo todo em inglês. ‘‘No começo, eles assustam um pouco, mas depois começam a entender o que eu falo. E esse é o objetivo principal das aulas: compreender o idioma’’, afirma.
  A Wizard também atende crianças com mais de quatro anos e usa as brincadeiras para ensinar. ‘‘Temos um material próprio e também um fantoche que está sempre na sala de aula, contando histórias. Através dessas histórias, apresentamos os conteúdos e as estruturas de comunicação para os alunos. Tudo é visto várias vezes. Nessa idade não pretendemos que eles falem inglês perfeitamente, mas que conheçam o idioma’’, explica a coordenadora de ensino infantil da Wizard, Andressa Massoni.
  A maior vantagem, segundo ela, é a facilidade que o aluno terá no futuro. ‘‘Na infância, os canais de aprendizado estão todos abertos e é mais fácil absorver informações. Uma criança que começa cedo no inglês não irá terminar o curso antes do normal porque existem etapas que só podem acontecer em idades determinadas, mas terá muita facilidade em atividades de audição e vocabulário’’, comenta.
  Foi buscando facilitar o futuro que a empresária Mara Cristina de Souza Maciel decidiu matricular o filho, Kevin Luiz, 6 anos, em curso de inglês, no ano passado. ‘‘Acredito que quanto mais cedo, melhor. E vejo que é verdade pelo desenvolvimento dele em casa. Meu marido fala inglês e o Kevin até corrige se ele fala errado’’, diz.
  Já a comerciante Celaine Fabian Iwankiw Cortezão nem precisou pensar em matricular a filha Ana Luiza, 6 anos, em um curso de inglês. ‘‘Quando ela tinha quatro anos, me pediu para aprender inglês. Eu dava aulas de inglês e ela via o material e se interessava. Na época ainda não existia o curso, mas assim que abriram as primeiras turmas, ela quis participar’’, garante.
  Respeitar o desejo dos filhos, segundo os profissionais, é fundamental para que o aprendizado seja realmente válido. ‘‘Alguns pais obrigam as crianças a estudar inglês e isso cria uma barreira difícil de ser rompida mesmo na fase adulta. Com adolescentes, às vezes temos que nos impor porque eles já entendem, mas com crianças não acho que isso funcione’’, diz Andressa.

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