Pequenas relíquias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Caixas de fósforos, carrinhos em miniatura, selos, moedas e cédulas antigas, imagens sacras. Embora muitos desses objetos de desejo sejam de pouca utilidade, outros têm grande valor financeiro. Mas, para os colecionadores, um objeto não precisa ser útil ou caro para ser desejado.
Segundo a psicóloga Fátima Conte, o hábito de colecionar geralmente não traz problemas nem aponta qualquer distúrbio emocional. ''É quase uma brincadeira. Na maioria das vezes se inicia com alguma coisa em casa ou seguindo o exemplo de algum parente que também coleciona. A pessoa começa a comprar o objeto e os amigos e pessoas próximas geralmente incentivam, dando esse tipo de presente. Aí vemos o apelo social de colecionar coisas: é uma forma de se relacionar e também uma fonte de prazer'', afirma.
Para ela, é preciso separar o hábito de colecionar da compulsão por alguma coisa. ''Na compulsão, a pessoa sente medo de ficar sem o objeto de desejo e passa por um grande alívio depois que o adquire. Existe um certo risco de que o ato de colecionar se transforme em compulsão, quando a pessoa já tinha propensão ao problema. Se existe uma dificuldade em se controlar e uma necessidade muito grande de comprar, é hora de prestar mais atenção e tomar cuidado'', alerta.
Embora seja difícil que esse hábito se transforme em distúrbio, é sempre válido impor limites. ''Esses objetos têm de ser fonte de prazer e não de sofrimento. Se as coisas começam a fugir do controle, com gastos elevados e envolver muito tempo, é importante que o colecionador pare de comprar mais objetos e até se desfaça de alguns dos que já tem. Se isso for impossível de fazer sozinho, é necessário procurar ajuda profissional'', diz a psicóloga.


