Não é por acaso que as bonecas mais badaladas de lojas como a Ri Happy têm nomes como Amazing Amanda e Miracle Baby. Isso porque as palavras em inglês (amazing = incrível e miracle = milagre) expressam a admiração pela notável tecnologia embutida em um brinquedo que há gerações faz a alegria da meninada. As bonecas de hoje até lembram os modelos de outrora, mas olhando bem de perto as diferenças são enormes. A começar pelo material de que são feitas. Elas agora são bem mais macias e com a textura mais próximas de bebês de verdade.
Na onda das bonecas fantásticas, os modelos mais tecnológicos chegam a custar quase R$ 800. É o caso da Amazing Amanda, que não só fala, como também reconhece o nome da ''mãezinha''. Além disso solicita a atenção da dona pedindo para brincar, dormir e outras interatividades com a criança. E o rostinho ainda tem expressões diferentes para cada tipo de humor.
Já o ''bebê milagre'' é um pouco mais simples nos recursos, mas, mesmo assim, reproduz 20 sons diferentes, arrota depois de mamar e ainda pisca. Para completar a brincadeira de mamãe-filhinho, o bebê também pode ser acompanhado de um bercinho (vendido separadamente). Aliás, os acessórios avulsos são tentadores para qualquer menina que adore trocar roupinhas e afins. O guarda-roupa disponível tem vestidinhos coloridos e sapatinhos para combinar. Para os bebês de mentirinha, até fraldas descartáveis são oferecidas em pacotinhos.
Rodeada de bonecas, a pequena Luisa Nogueira Verpa De Cunto nem se preocupa em contar a quantas anda a coleção. Mas apesar do número alto, ela sabe todos os nomes com os quais ''batizou'' a turminha. Maria Flor tem cabelos azuis e dispara na preferência da menina, que gosta de pentear as cabeleiras longas das bonecas. ''É muito difícil trocar as roupas da Barbie'', explica a menina.
Na onda da balzaquiana Barbie, as bonecas foram ganhando corpo adulto. Mais recentemente, na era das celebridades, foi a vez das artistas de sucesso se transformarem em bonecas. Nas prateleiras, a febre da vez são os personagens da novelinha Rebelde. Mia, Roberta, entre outras, caíram no gosto de meninas que já estavam até pensando em aposentar a brincadeira de bonecas. Mas aposentadoria é algo que a boneca nem cogita. Se as meninas crescem, outras menores logo aparecem atrás da magia.

‘‘Cansei de brincar de boneca. Agora, só brinco às vezes com o Cebolinha e a Mônica. Prefiro jogar videogame no computador. O joguinho do Chamyto tem vários truques.’’ Carolina Rodrigues Santos, 6 anos, que vez ou outra recebe os amiguinhos pra brincar no playground do prédio, ‘‘no roda-roda e no campinho’’.

‘‘Brinco bastante com a Beautiful Baby. Ela fala quando quer dormir. Minha irmã pequena está aprendendo a andar. Às vezes meu irmão me chama para brincar de carrinho. Queria uma boneca pra tomar banho junto comigo.’’ Raquel Zoega Figueiredo, 6 anos, que ainda não sabe o que vai pedir no Dia das Crianças.

‘‘Brinco de boneca com a minha mãe e com o meu pai também. Ele sabe brincar. Ganhei o Kiko, um cachorrinho de pelúcia branco com orelha marrom. Ele é o meu preferido porque é fofo. Tenho uma caixa de bonecas. Gosto da Soprinho.’’ Nathália Borges, 6 anos, que ganhou o Kiko esta semana e já caiu de amores. Segundo ela, a Soprinho ‘‘já é mais velha’’.

‘‘Sou a professora da escolinha. Conto historinhas para elas (bonecas). Mas também faço esporte. Terça e quinta faço capoeira, segunda e quarta, natação.’’ Clara Rainha, 6 anos, tem quatro ‘‘alunas’’ na escolinha.

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