A casa de moda 'Saga furs of Scandinavia' representa um dos pesadelos das sociedades protetoras de animais. Graças a este organismo de promoção dos produtores escandinavos, as peles voltaram a estar de moda em todas as passarelas do mundo, de Nova York a Milão, de Paris a Moscou.
Os criadores de visons e raposas da Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia decidiram formar o grupo em 1954. Meio século depois, seis mil criadouros da região abastecem 65% do mercado mundial das peles de vison e 80% das de raposa. Um total de 18 mil pessoas trabalha no setor. A 'Saga Furs' tem um orçamento de 930 milhões de euros, equivalente a 1% das vendas de peles em leilões.
A casa escandinava não se deu por vencida durante os piores anos para a indústria das peles (década de 80 e início da década de 90). Nesse período, as peles desapareceram das passarelas por causa da crise econômica, da pressão das sociedades protetoras de animais e, sobretudo, porque eram consideradas ''antiquadas''.
As principais armas para a reconquista do mundo da moda foram as novas técnicas de tratamento das peles, que permitem seu uso quase como uma tela, uma boa equipe de desenho e um bom trabalho de aproximação com os estilistas, como Jean-Paul Gaultier e Julien Macdonald.
A partir de 1989, o organismo optou por convidar os criadores para visitar Vedbaek, perto de Copenhague, onde fica sua sede.''Na média, a idade do comprador de peças de pele caiu de 49 a 34 anos em seis anos. As vendas registraram aumento de 10,8% em 2003 e esperamos uma melhora equivalente este ano'', afirma com satisfação Tom Steifel-Kristensen, diretor da 'Saga Furs'.
Ele também destaca o número de casas de alta costura e de prêt-à-porter que utilizam as peles da Saga. ''Foram 32 nas últimas coleções nova-iorquinas e quase 15 em Milão e Paris. Um dos últimos a adotá-las se chama Giorgio Armani'', declara. Outro motivo de satisfação é a diversificação. Atualmente o casaco de vison representa 50% do mercado. Há alguns anos chegava a 95%. Além disso, agora as peles também aparecem nas coleções de verão.''Nós apresentamos algumas propostas às casas de moda e os estilistas nos dão idéias. A troca acontece nos dois sentidos'', explica Per Reinkilde, que também trabalha na Saga.
Mais ou menos alisadas, mais ou menos elastificadas, cortadas a laser, trabalhadas para parecer com o veludo, jogando em combinações com couro perfurado, lantejoulas, tecidos e com a maior gama de cores possíveis: as peles voltaram à moda. n

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