Pele bem cuidada também no inverno
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Chiara Papali 
A estação mais fria do ano não pode ser motivo para descuidar da pele do rosto e do corpo, apesar dos banhos mais quentes e demorados e abandono dos hidratantes e protetores solares acontecerem com mais frequência nesta época do ano. As pessoas acham que ficam menos expostas ao sol porque usam mais roupas e, por isso, não precisam ter tantos cuidados, mas a proteção no inverno tem que ser a mesma que no verão, ressalta a médica dermatologista Rosa Calland, de Londrina.
Especialistas alertam que a falta de hidratação e o uso frequente de água quente pode trazer problemas graves, a começar pelo ressecamento da pele até alergia, caspa e seborréia. O uso de buchas, sabonetes e água quente compromete a proteção natural da superfície da pele, o manto lipídico, que evita perdas hídricas, limita a penetração de substâncias estranhas e mantém a acidez normal da pele, importante no combate às bactérias.
Tempo dos banhos A pele desidratada fica seca, perde elasticidade, descama, envelhece e pode apresentar quadros de pruridos e coceiras. A água quente resseca ainda mais a pele seca e, na pele oleosa, estimula a glândula sebácea deixando-a mais oleosa, explica Rosa Calland. Além de reduzir o tempo dos banhos e a temperatura da água, a orientação da especialista é que buchas, esponjas e sabonetes só sejam usados nas axilas, região genital e pés.
Uma dica da dermatologista é que o hidratante seja usado imediatamente após o banho. A camada córnea da pele está umedecida e o hidratante logo depois do banho vai segurar essa umidade. Se a pele for muito seca pode ser usado um pouco de óleo também e depois o hidratante, explica. De acordo com ela, sabonetes com hidratantes também são bem-vindos, mas, apesar da praticidade, não substituem o uso dos cremes. E mesmo no inverno, as pessoas devem beber muita água, outra maneira de hidratação, afirma. Os hidratantes podem ser à base de uréia, ácido láctico, óleo mineral, vitamina E e lactato de amônia, entre outros.
Câncer de pele A proteção solar também não deve ser dispensada, já que mesmo no inverno, os raios ultravioleta, responsáveis pelo envelhecimento cutâneo e câncer de pele, continuam presentes. Rosa Calland explica que os protetores solares devem proteger dos raios UVA e UVB. Alguns protetores só protegem dos raios UVB, mas os dois tipos de raio causam câncer de pele, e o UVA tem a mesma intensidade o dia inteiro, é menos filtrado pela camada de ozônio, penetra mais profundamente na pele e causa mais envelhecimento. E o pior, ele é menos percebido porque não causa vermelhidão na pele, explica. O protetor solar deve ser aplicado de 30 a 40 minutos antes da exposição e reaplicado a cada quatro horas.
A dermatologista Rosa Calland acredita que o inverno pode ser um aliado para recuperar parte dos estragos causados na pele pelo excesso de sol durante o verão. De acordo com ela, este período é ideal para fazer peeling (esfoliação), para retirada das células mortas, mas sempre com orientação médica. Ela explica que, sem orientação, o uso de sabonetes esfoliantes pode piorar alguns problemas, principalmente se a pele for seca.
Dicas para cuidar da pele no inverno:
Como a pele está mais sensível no inverno, evite colocá-la em contato direto com tecidos sintéticos ou lã
Tome banhos mornos e breves, e utilize sabonete e esponjas apenas nos pés, regiões genitais e axilas
Hidrate a pele com cremes ou loções. Até mesmo o ar-condicionado pode ressecá-la. Ao contrário do que se imagina, óleos não hidratam a pele
Consulte um dermatologista para utilizar produtos adequados a sua necessidade
Use protetor solar e labial. Os efeitos nocivos dos raios ultravioletas do sol continuam existindo mesmo no inverno
Cuidado com a escolha do protetor solar, o filtro deve ser ideal para o seu tipo de pele e proteger dos raios UVA e UVB
Alimentação rica em gorduras e carboidratos contribui para o surgimento da caspa, assim como banhos prolongados e quentes.
Fonte: Stiefel Pesquisa em Dermatologia


