Vivemos uma época de culto ao corpo perfeito. Em busca do modelo ideal tem sempre alguém querendo tirar alguma coisa que considera excessiva, no bumbum, barriga, coxas, culotes, quadril. Com os seios não poderia ser diferente. Apesar de estarmos em tempos de seios fartos, as cirurgias de redução ainda são mais procuradas que as de implantes de silicone.
A cirurgiã plástica Dolores Cristina Mamprim diz que os seios, na história da cirurgia plástica, sempre foram os responsáveis pela maioria dos procedimentos, cerca de 40%. Desse total, 50% são as cirurgias de redução, 30% são as que turbinam os peitos com silicone e 20% correspondem à correção e reconstrução de mamas.
Mulheres após os 35 anos são as que mais procuram, principalmente por causa da flacidez. Há casos em que o excesso de seios provoca prejuízos ao organismo da pessoa, como dores nas costas, lombalgias. Nesses casos, a cirurgia é permitida para jovens a partir dos 13 anos, pois seios grandes podem interferir no crescimento da adolescente. ''Como regra, as plásticas de seio (colocação de silicone) só ocorrem a partir dos 17 anos'', informa.
Harmonia Dolores explica que não há um tamanho ideal de peito, pois depende da paciente, sua estrutura física. ''É preciso harmonizar o corpo''. Mesmo com os seios grandes em evidência, a médica diz que o que era grande em outras épocas continua grande hoje quando se fala em gigantomastia. A antiga classificação ''moderado'' é o que se considera bom hoje. O formato mais procurado é o 44 chegando até o 46, ''que preencha o bojo do sutiã'', completa.
Seios grandes, lembra a médica, muitas vezes, estão associados ao excesso de peso. Há cirurgias onde são retirados de 400 a 600 gramas de cada mama. Ela continua afirmando que nem todos os casos de redução exigem implantes de silicone. Há seios com ''material'' suficiente para ser remodelado. O procedimento consiste em levantar as mamas, retirando o excesso de pele, ''com o cuidado de deixar as auréolas bem posicionadas. As próteses são utilizadas quando é preciso dar firmeza para os seios.
Anestesia O cirurgião plástico Manoel Calland lembra ainda que a paciente precisa ser orientada corretamente para que não haja redução em demasia. ''A pessoa pode, depois, se sentir mutilada'', alerta. A duração de uma cirurgia, segundo ele, é, em média, de duas horas. Nem sempre a pessoa precisa de internamento, ''faz a cirurgia de manhã e sai à tarde'', informa.
Dolores Mamprim explica que a anestesia geral é utilizada apenas nos casos de mamas gigantes. Para os implantes de silicone e montagem de mama pode-se optar pela anestesia local, com sedação, ou de bloqueio (peridural).
Há cuidados pós-operatórios a serem respeitados, segundo os médicos. Nos primeiros 15 dias orienta-se a não fazer movimentos de elevação dos braços, separando-os do tórax. Após esse período, é permitida a elevação de até 90 graus. Depois de 20 dias estão liberados movimentos sem força. Dirigir carro com volante hidráulico é permitido a partir de 15 dias, os demais tipos após 21 dias. Exercícios em esteira, bicicleta e caminhadas podem ser feitos depois de 15 dias da cirurgia. As atividades de musculação, braço, peitoral e os esportes só estão liberados após dois meses do procedimento.
Mamas endurecidas Manoel Calland diz que a plástica dos seios não é arriscada. ''Correm-se os mesmos riscos de qualquer cirurgia, mas exames de risco cirúrgico garantem a tranquilidade da paciente''. O médico lembra que as próteses utilizadas no passado ofereciam perigo de contratura muscular, ou seja, as mamas ficavam endurecidas, com aspecto artificial. Hoje esse risco é inferior a 2%, pois utiliza-se material com revestimento em poliuretano ou texturizado.
Trabalhos recentes, de acordo com Calland, indicam que a troca das próteses pode ocorrer após 12 ou 15 anos. ''Se não houver alterações no organismo da pessoa a troca não é necessária''. O médico recomenda que a pessoa seja acompanhada pelo seu ginecologista com a realização dos exames de rotina anuais, como mamografia e ultrassonografia.
O custo de uma cirurgia de seios, de acordo com Calland, tanto de redução quanto de implante de silicone, fica a partir de R$ 4 mil.n

mockup