Peão tipo exportação
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Karla Matida 
Estudar no exterior não é mais novidade para ninguém. Os brasileiros estão viajando muito mais agora, por causa das facilidades de pagamento e obtenção de vistos, explica a agente de viagens Maria Cristina Maluf Sahyun. A diferença é que os viajantes-estudantes agora estão à procura de algo mais, além das aulas de idioma em outro país. É uma tendência mesmo, porque as pessoas estão percebendo que não basta apenas falar inglês e saber computação, explica Maria Cristina.
Na onda dos cursos combinados, já é possível até mesmo unir aulas de inglês nos Estados Unidos com treinos para competições de rodeios norte-americanas. O pacote da Central de Intercâmbio (CI), é de quatro semanas, com 20 horas de aula por semana. Neste período, o tempo é dividido em 12 horas de aulas de inglês e mais oito horas de treinos.
Segundo Maria Cristina, é preciso ter algumas noções de montaria, para aproveitar todo o curso, assim como também saber um pouco de inglês, porque as aulas dão ênfase à conversação. Neste programa especial, o aluno-peão, tem aulas de laço individual e em grupo, de tambor, doma e até mesmo como tratar os animais. Quem não sabe montar, tem aulas separadas do grupo, explica a agente de viagens. Por isso mesmo, é interessante ter as noções antes de viajar, para chegar nos Estados Unidos apto a aprender os truques e regras das competições norte-americanas. Os treinos acontecem em ranchos especializados, como o Lenz e o Magoteaux, onde os alunos passam um final de semana e têm aulas com professores premiados em competições.
Se a maior vantagem dos cursos no exterior é a imersão total do aluno no idioma, o programa de habilidades em rodeio também privilegia o contato direto com o tema country. A família anfitriã é sempre do meio rural, tem fazenda, então, passa dia e noite falando do assunto, garante Maria Cristina.
O curso combinado, que acontece duas vezes por ano, em janeiro e julho, é realizado na cidade de Edmond, Oklahoma. A cidade tem 60 mil habitantes e é muito fácil fazer amizades, conta a agente de viagens. Além disso, está incluída no pacote uma viagem de final de semana para Dallas, no Texas. O preço do curso é de US$ 3.700 e tem duração de 4 semanas - as passagens aéreas custam em média US$ 1.000 e dão direito à acomodação.
No momento em que decidiu pelo intercâmbio Youth Foreign Understanding (YFU), nos Estados Unidos, o estudante de veterinária César Gomes, 19 anos, se preocupou também com o local onde ficaria. Dei cinco opções, e tive a sorte de ir morar no Texas, conta César, que foi intercambista durante um ano. Diferentemente do pacote especial da Central de Intercâmbio, o estudante não teria aulas específicas de rodeio, mas como apreciador do assunto, acabou assistindo e até participando de competições de laço.
Quando eu desembarquei nos Estados Unidos, a primeira coisa que fiz foi viajar sete horas com o pai da família que me hospedou para assistir a uma competição de laço, lembra o estudante, que chegou a ficar entre os finalistas da competição Bud Light. Por causa das provas em outras cidades conheci todos os cantos do Texas, e viajei para o Novo México e Alabama, diz César, que também teve contato com os termos técnicos de rodeio.
É mais um hobby para mim. No Brasil, eu participo das competições de laço mais como amador, explica César, que agora procura dar prioridade à faculdade. Mas não é marketing usar bota e chapéu, eu uso porque gosto mesmo, conta o estudante, justificando que não é apenas mais um na onda country que invade a cidade.Paulo WolfgangO estudante de veterinária César Gomes: um ano nos Estados Unidos entre aulas de inglês e provas de laçoEm uma mesma viagem
Josoé de CarvalhoA agente de viagens Maria Cristina Maluf Sahyun: pacote especial para intercâmbio countrydá para aprimorar o
inglês e ainda aprender
os truques das
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