Apesar de não existirem tantas crianças disponíveis para a adoção, a lei é bastante flexível e permite que diversas pessoas possam se submeter ao processo. ‘‘Casais heterossexuais em união estável podem adotar, homossexuais e solteiros também, desde que sejam maiores de 21 anos e tenham 16 anos a mais do que o adotado’’, afirma a promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina de Paula.
  Ela diz que nem mesmo a questão financeira, vista para muitos como um problema na hora da adoção, é tão restritiva. ‘‘Não é necessário ter casa própria, pode ser alugada, nem um salário alto. Na verdade, a lei não restringe nenhuma pessoa por dinheiro. Basta que haja a possibilidade de oferecer à criança condições de estudar, ter saúde e lazer, com amor e limites’’, garante.
  O início do processo começa, segundo o advogado Angelo Carbone, especialista em direito da família, em um órgão governamental de adoção. Em Londrina, é a Vara da infância e Juventude, que funciona no prédio do Fórum. Com documentos pessoais, comprovante de renda e residência e atestado de sanidade física e mental, os candidatos preenchem um formulário de intenção e passam por uma entrevista com um assistente social ou psicólogo. ‘‘Adotar uma criança é um ato de amor e requer, antes de tudo, muita paciência’’, comenta ele.
  O assistente social ou psicólogo emite um laudo, que é enviado para a aprovação da promotoria e do juiz. Depois disso, o candidato fica habilitado para a adoção. ‘‘São necessários cerca de três meses para sair a habilitação. Daí, a pessoa ou família será chamada para conhecer as crianças disponíveis para a adoção, de acordo com a lista de espera. Hoje temos 60 casais aguardando’’, afirma a promotora.
  É nesssa hora que acontece o maior problema. Como a maioria dos casais prefere meninas brancas com até um ano de idade, a espera pode durar até cinco anos. ‘‘Quando os pais não fazem exigências, eles conseguem adotar uma criança em até um mês’’, garante.
  Para Edina de Paula, o mais importante é não criar expectativas muito grandes com relação à chegada do filho adotivo. ‘‘Criança quietinha e boazinha não existe. É comum casos de pais que adotam e depois querem devolver a criança porque não se adaptaram. Uma criança exige carinho e atenção e os futuros pais precisam estar preparados para isso. Um filho não é como um objeto que podemos nos desfazer quando nos cansa ou não interessa mais. Se nem com um animal de estimação agimos dessa forma, imagina com uma criança.’’ (H.F.)

mockup