Passeio pelas cores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de julho de 2006
Karla Matida<br>Enviada a São Paulo 
Após os quase 50 desfiles da 21 São Paulo Fashion Week (SPFW), a sensação é de ter passado por uma explosão de cores (vibrantes ou nem tanto), que se espalharam pelas passarelas e também pelos corredores do prédio da Bienal, decorados com papelão. A idéia da cenógrafa Daniela Thomas foi fazer uma interpretação livre do que viu na sua viagem pela África, inspiração-mãe do Verão 2007 da temporada paulistana. Nas roupas propriamente ditas, os colares de miçangas, tão característicos de algumas tribos africanas, é que deram o tom.
Mas apesar da generosidade na cartela de cores atenção para a novidade da tangerina , o branco promete reinar absoluto. Não perde a majestade nem mesmo quando precisa dividir o espaço com outros tons, como nas listras náuticas (navy) tão presentes nas coleções. Quando domina totalmente a cena, aparece nos looks monocromáticos de vestidos, peça-chave da estação. Só que ao contrário do verão passado, eles estão (bem) mais curtos.
Assim como os comprimentos que subiram bastante o joelho delimita a fronteira tanto para centímetros a mais como de menos , os saltos também estão altos. E no momento lúdico, pontos para o retorno da salopete (ou jardineira), que integra a família mais fashion do temporada, a dos macacões. A versão longa que já vinha se insinuando nas últimas coleções, agora ganha o reforço do irmão mais novo, o macaquinho. Todos charmosíssimos.
O degradê pede passagem e os bichos foram soltos. Zebras, oncinhas e leopardos estampam roupas e sapatos. Na poesia fashion, quem declama os versos e estampa tons de amanhecer, entardecer e anoitecer é Ronaldo Fraga inspirado em Guimarães Rosa. Ainda entre os destaques, Alexandre Herchcovitch vai fundo na pesquisa da tribo Nbedele e encanta nos mínimos detalhes, como as miçangas colorindo as hastes dos óculos escuros. A carioca Maria Bonita faz coleção orgânica e celebra o verde-planta e a pele sobre pele em vestidos-regatões. Zigfreda capricha no estamparia, que chama de soft vintage, com um ar brecholento. Na modelagem, Huis Clos segue mestra.
Os paranaenses Erika Ikezili (radicada em São Paulo) e Jefferson Kulig agradaram com suas pesquisas. Ela na matemática, repetindo formas circulares para montar vestidos e tops; ele na biodiversidade brasileira, descobrindo novo uso para a fibra natural tururi.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento


