Passarelas tentadoras
Passarelas
tentadoras
Hoje as mocinhas querem ser top models, conquistar fama e salários astronômicos
Celina Alonso Az
Fotos: Fashion HouseCristiane Carniato, 1,70m, já foi capa de revistas nacionais, mas sabe que não tem altura para passarelaJá faz muito tempo que o sonho das meninas era ganhar uma boneca enorme que andava e falava, depois arranjar um príncipe com quem iriam viver num castelo encantado, onde seriam felizes para sempre. Nos anos dourados, quando os concursos de beleza despontavam na mídia, muitas moçoilas também sonhavam em ser misses para arranjar mais tarde um belo casamento. Hoje, o sonho mudou de embalagem. As gatinhas querem ser top models, ver seus rostos nas capas de revistas, desfilar pelo mundo e conquistar fama e salários astronômicos.
As que têm muita sorte ou garra, conseguem um lugar ao sol, com carreiras respeitáveis. Outras acabam gastando muita energia, dinheiro e tempo, com resultados frustrantes. Sentem-se lesadas e não sabem a quem recorrer. Apesar de, para muitas mocinhas, a carreira ser semelhante a uma loteria, as mais bem informadas ou experientes já conhecem o caminho. Pode acontecer o toque mágico de ser descoberta por acaso, na rua, por um olheiro de agência. Este caso é o menos frequente. Outro caminho é adquirir técnica fazendo cursos profissionalizantes e ir à luta.
Cuidado com golpes Se uma agência disser não para você, procure outra, mas se dez disserem, procure outra profissão, sugere Cindy Crawford, uma das modelos mais ricas e famosas do mundo. Mas será que no Brasil existe essa consciência entre as candidatas a modelo? E as escolas orientam quando a candidata não tem chances?
A ex-modelo Lucia Wander organiza cursos profissionalizantes e adverte para o perigo das propostas tentadoras
Em todas as cidades de médio porte há cursos para modelos e manequins. Existem também muitos oportunistas que se aproveitam dos sonhos de mocinhas e de suas famílias para arrancar dinheiro fácil. A agente de modelos Lueci Galtério Fabreti, de Maringá, tem cadastrados cerca de 200 modelos infantis e adultos, que encaminha para as melhores agências da Cidade. É responsável pelo começo da carreira de muitos deles que hoje figuram nas revistas e comerciais do País. Ela conta que ouviu casos sobre testes pagos a produtoras e a agências de má fé. Lueci lembra de uma empresa que fazia convocação através de anúncios em jornais para um teste de atores e modelos, candidatos a participar de uma produção em vídeo. Muitos pais pagaram para seus filhos e depois de algum tempo a empresa fechou sem deixar pistas, deixando os candidatos correndo atrás do prejuízo. Muitos modelos que chegam a sua agência contam que pagaram alto para produzir um book (espécie de álbum com diversas fotos do candidato), mas que nunca viram os resultados desse investimento.
Conheci um casal que tinha pago R$ 120,00 para fazer a inscrição dos dois filhos, e nunca mais viram o produtor e nem o resultado do trabalho. Sempre alerto para não pagar por inscrição. Já surgiram vários golpes usando nomes de grandes empresas. Teve testes para participar da novela Chiquititas, do SBT, para ser modelo naquela campanha dos mamíferos que anunciam leite, para ser garota da capa de revistas famosas, e nenhum deles era credenciado. Alguns pais chegaram a pagar R$ 500,00 para fazer um book que não serviu para nada porque para cadastrar só pedimos duas fotos, e a ficha de inscrição é grátis, conta Lueci Fabretti. Ela observa que agência idônea não cobra para fazer teste. Fico revoltada ao saber que as pessoas são tão crédulas. E o pior é que as vítimas tem medo de denunciar. E assim, outros são enganados, acreditando que este é o caminho do sucesso, afirma.





