Com a moeda americana pouco abaixo da faixa dos R$ 2,80, os viajantes não estão pensando duas vezes em tirar a poeira do passaporte e arrumar as malas para cair na estrada além das fronteiras. Desde que o dólar começou a cair, as companhias aéreas vêm se agitando, as agências de viagens preparando o melhor sorriso e com isso o turista pôde voltar a sonhar em passar uns bons dias em terras estrangeiras.
E o momento não poderia ser melhor. Férias escolares combinadas com festas de fim de ano, que trazem também o dinheiro extra do 13º salário. ''Estou há 23 anos no setor e sei que com crise ou sem crise, nesta época do ano meados de dezembro a meados de janeiro o povo sempre viaja'', explica Flávia Reis, delegada da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav).
A grande diferença é que agora a cartela de escolhas é maior, considerando que dólar está com seu valor mais baixo dos últimos dois anos. O sonho de viajar num glamouroso cruzeiro, por exemplo, está mais próximo dos brasileiros. Além da temporada dos grandes navios estar começando, os preços, sempre cobrados em moeda americana, ficaram mais acessíveis.
Com uma tabela nas mãos, Flávia Reis mostra que é possível embarcar num cruzeiro pagando a partir de US$ 299. O preço ainda cai mais ainda se o viajante considerar o ''brinde'' que é o terceiro passageiro grátis na mesma cabine. Fazendo as contas, dois pagantes custariam US$ 598, dividindo isso por três US$ 199. Para aumentar ainda mais a vontade de sair correndo para pegar o primeiro navio, some cinco refeições diárias incluídas no pacote. Tanto é tentador que só será possível encontrar uma cabine vaga a partir da segunda quinzena de janeiro. E olha lá. De modo que é bom correr.
Para quem tem entre 18 e 35 anos, os pacotes Contiki voltam a ser opção para jovens aventureiros que queiram passear pela Europa, Ásia, África, Oceania e Estados Unidos e não abram mão da companhia. Para Flávia, uma dica é a semana de esqui na Áustria. O preço é de US$ 499, incluindo meia pensão (almoço ou jantar e café da manhã). A passagem custa em média US$ 800 (estudantes até conseguem encontrar passagens por cerca de US$ 700).
Mas para aqueles que querem fugir dos grandes grupos e ter mais flexibilidade na viagem, o velho estilo mochileiro ainda está na moda. Só que em tempos de Internet, ficou mais fácil reservar os albergues aqui no Brasil. ''Antes eles (mochileiros) só faziam a carteirinha aqui no Brasil e depois tinham que se virar'', lembra Flávia. ''Agora, até para diminuir a preocupação dos pais, já é possível até pagar os albergues antes da viagem'', explica.
Para não perder uma das regras principais da filosofia mochileira, a flexibilidade de querer (e poder) passar mais dias numa cidade e fugir de planos pré-estabelecidos, a dica da agente de viagens é, pelo menos, reservar os quartos para as grandes cidades. 'Não dá para chegar em Paris, Barcelona e Londres, por exemplo, sem uma reserva'', ensina.
De acordo com Flávia, as diárias de albergues europeus têm preços a partir de US$ 17. ''Como os vistos norte-americanos ficaram mais difíceis de serem conseguidos, os passageiros estão preferindo mesmo a Europa'', conta a agente. n

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