Participação do pai é essencial
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quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Paulo de Araujo e Cláudia Collucci<br> Folhapress<br> 
Uma campanha para incentivar as mães a amamentar seus filhos já na primeira hora de vida começou a ser divulgada na semana passada. A prática é pouco difundida no país, dizem especialistas, mas traz uma série de benefícios para a mãe e para o bebê no neonatal período que vai desde o nascimento até o 28º dia de vida.
A primeira imunização, por meio do colostro leite ainda em formação, mas rico em anticorpos , é recebida com mais imediatismo pelo organismo, o que aumenta a proteção do bebê contra infecções, a principal causa de mortalidade nos recém-nascidos.
Em segundo lugar, a mamada da criança estimula bastante a produção de leite materno e agiliza a liberação do hormônio ocitocina, cuja ação induz as contrações do útero e ajuda a evitar hemorragias no pós-parto. O efeito é tão mais eficaz quanto mais cedo o bebê começar a mamar, pois a sucção nos primeiros momentos de vida é mais vigorosa.
Também é desejável que o contato pele a pele entre mãe e filho aconteça rapidamente. Isso transmite calor e conforto ao bebê, além de reforçar os vínculos afetivos, esclarece a presidente do departamento de aleitamento materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Valdenise Tuma Calil.
No Brasil, não há estatísticas atuais sobre a amamentação na primeira hora de vida. Segundo o diretor do departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Adson França, isso não é uma praxe, como deveria ser.
A Semana Mundial de Aleitamento Materno teve neste ano como principal slogan Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem Demora, para se transformar em uma prática costumeira.
Se colocada na rotina, a prática pode reduzir significativamente a mortalidade de recém-nascidos. Uma pesquisa realizada em Gana, na África, com 10.948 recém-nascidos entre 2003 e 2004, mostrou que a amamentação na primeira hora pode reduzir em 22% o risco de morte no primeiro mês de vida, o período neonatal.
Pai presente A amamentação do bebê na primeira hora deve ser acompanhada de perto pelo pai, diz Alberto dAuria, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz.
A atuação deve começar já durante o trabalho de parto. É importante que ele tenha uma função nessa hora, afirma DAuria.
A recomendação é que a parturiente seja ladeada pelo pai da criança na sala de parto. Nesse momento, o melhor é que haja o máximo de proximidade possível. Após o nascimento, o pai é peça fundamental na acomodação do bebê para mamar na primeira hora de vida, diz DAuria. Ele passa a ser o piloto desse processo.
Ela deve acompanhar o pediatra na condução dos primeiros procedimentos pesagem e exames gerais. E, depois que o processo estiver concluído, é pelas suas mãos que a criança deve ser devolvida à mãe, recomenda o especialista.
Nos primeiros momentos, a posição ideal é a criança colocada no peito da mãe e o corpo do pai encostado nas suas costas.
O caminho da tecnologia, diz DAuria, embora importante, deixa um hiato. Às vezes, esse calor humano é perdido. É isso que pretendemos recuperar agora.
O mais rápido possível- O ideal é que, após o nascimento, o bebê seja colocado junto à mãe o quanto antes, com o mínimo de intervenções possíveis, explica a médica pediatra e professora da Unifesp e da Unisa, Lélia Gouvêa. O pediatra faz um exame geral, seca o bebê com delicadeza e, em minutos, devolve-o à mãe.
O Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, preconiza o imediatismo. Neste mês, a instituição lança o programa Sentindo a Luz. Logo ao nascer, o bebê já será colocado para mamar com a presença do pai ajudando a mãe na tarefa, já que a mulher, provavelmente, ainda estará com soro no braço.
Numa cesárea, por exemplo, enquanto o cirurgião costura a parturiente, o bebê já estará mamando. No parto normal, funcionará da mesma forma, explica DAuria.


