'Paris pode esperar'
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Dez anos atrás, a londrinense Rita Vidal, 27 anos, estava naquela fase em que a maioria dos jovens precisa decidir qual faculdade vai escolher. A moda lhe atraía e foi assim que ela chegou para assistir a uma palestra do estilista Alexandre Herchcovitch. Saiu de lá com a certeza de que não era o que ela queria. ''Era muito nova e morria de medo de ser estilista'', lembra Rita, que na época não se sentia forte o suficiente para enfrentar o competitivo mundo da moda.
Radicada em São Paulo, Rita esteve em Londrina no último final de semana, acompanhando o pai Robinson Borba, compositor do espetáculo Peter Pan..K. Aproveitou para contar que hoje já não tem mais medo de ser estilista. Muito pelo contrário.
Formada em modelagem pelo Senac São Paulo, em 2006, Rita viu sua vida cruzar novamente com a de Herchcovitch em junho deste ano. Ela e suas colegas de curso participaram de um prêmio idealizado por Paulo Borges, diretor artístico da São Paulo Fashion Week (SPFW), um dia antes de começar a temporada de desfiles Verão 2008. ''Seriam dois prêmios, um para a estilista e outro para a modelista. Sabia que o de modelista estava entre mim e a que ganhou. Quando chamaram o nome dela, eu relaxei. Mas aí me chamaram e eu não entendi bem por quê. Subi ao palco com o Herchcovitch, ele me cumprimentou, mas só depois que voltei ao meu lugar fui perguntar o que tinha acontecido'', sorri Rita.
Ela havia ganho o prêmio de aluna-destaque com seu trabalho à base de feltro industrial e inspirado nas criações da dupla holandesa Viktor & Rolf. Assim como as outras duas alunas, Rita também faturou uma viagem para Paris com direito às passagens, um curso de três meses na badalada escola de moda Esmod e mais uma verba em dinheiro.
''Mas Paris pode esperar'', explica a designer, que decidiu embarcar só em junho do ano que vem. ''Preferi trabalhar muito este ano para chegar bem preparada e aproveitar ao máximo'', conta. E quando fala em trabalhar muito, Rita não exagera. A dedicação criativa tem rendido bons frutos para o currículo da londrinense.
Nos 10 anos que separam os dois significativos encontros com Herchcovitch, Rita lembra que se dedicou à joalheria, sempre fascinada com as formas. O tempo passou, ela amadureceu as idéias e resolveu dar uma nova chance à moda. Mesmo assim não deixou a criação de jóias. Este ano, a designer participou de da exposição Nova Jóia com peças à base de tecido.
''No ano passado, só me dediquei ao curso e por isso este ano estou com vontade de fazer tudo'', avisa. Toda a dedicação ao trabalho de conclusão foi o que rendeu o prêmio parisiense. ''Foi uma experimentação com feltro industrial (usado na chapelaria). Ninguém sabia me dizer como eu poderia fazer, então errei muito antes de acertar. Quis o aspecto surrealista de Viktor & Rolf com alfaiataria'', lembra Rita, que utilizou as discussões sobre o hipermodernismo relatada no livro do filósofo Gilles Lipovetsky.
Como modelista, a londrinense teve duas participações especialíssimas nas últimas edições da SPFW em parceria com a estilista Simone Nunes, uma das revelações do evento. Foi Rita quem ajudou a dar corpo aos ombros generosamente estruturados criados por Simone. Sem usar ombreiras gigantes, o volume das mangas foi todo elaborado na modelagem. Mérito da londrinense.
Rita ainda encontra fôlego para participar de um coletivo que reúne artista plástico, fotógrafo, estilista e a modelista. ''Estamos experimentando'', diz a designer. Sob o nome Algo, o coletivo tem participado de bazares e já teve suas peças comercializadas na loja do Resfest (evento paulistano com música e arte).
O futuro? ''Ainda tem muito para ser feito em moda'', garante Rita, que pensa em dar aulas e dividir seus conhecimentos. Ela também pensa em se dedicar mais à alfaiataria. ''É preciso reforçar as qualidades que a gente tem'', ensina. E talento ela tem mesmo de sobra. Que o digam Paulo Borges e Alexandre Herchcovitch.


