Parece mais não é
O Dia dos Pais pode ser uma data linda para alguns, mas meio sem graça para outros. É que nem sempre os padrastos comemoram com seus filhos adotivos, que saem para visitar seus pais biológicos. E o padrasto, que assumiu as funções de pai o ano todo, às vezes fica sozinho. Será que os filhos reconhecem esse papel? É uma relação complicada ou ser padrasto é padecer no paraíso?
Para Victor Hugo Passos, que já tinha um filho quando, há dez anos, assumiu Mariana e Marina do primeiro casamento da esposa, a responsabilidade e a preocupação são muito maiores. Quando o filho é seu há mais liberdade na criação. Já com os outros filhos (os da esposa), a gente tem de fazer um papel de pai sem ser pai. Tem de ser um mestre, um tio, tentar passar amor, impor limites, dizer não com cuidado para não ser mal-interpretado. Ele diz que nas vezes em que é preciso repreender parece que está punindo pelo fato de não ser filho legítimo. Por mais que a criança não goste, tudo na vida tem limites. Victo Hugo conta que sua relação com as filhas é muito bem trabalhada e cuidada. Não é fácil, mas tem de ser porque a sociedade cobra demais do padrasto. Quer que ele seja um pai na hora de manter os filhos e que fique ausente na hora de ensinar. Quando temos de impor limites, não podemos fazer como o pai faria. Graças a Deus, essas duas filhas (que o chamam de tio), me respeitam muito e temos muito diálogo.
A esposa de Victor Hugo, Maria Regina, diz que ele é um pai acima da expectativa. Ele tem todos os deveres e não tem todos os direitos e desempenha seu papel melhor do que muitos pais legítimos. Uma das filhas, Mariana, 16 anos, conta que no início foi complicado. Ele era diferente de nós, não era meu pai e dava ordens, tipo escovar os dentes, acordar cedo. Com o tempo fomos entendendo. Ainda hoje tem algumas ordens que ele dá que acho difícil de engolir. Se é meu pai falando parece que desce mais fácil. Só que se meu pai morasse conosco, também seria complicado. E acho que muitas vezes meu padrasto está certo. Ele está fazendo bem o seu papel de pai. Seria bom que outras crianças entendessem que se a mãe escolheu um padrasto, é porque ele é melhor para a família. Mas tem gente que procura atrapalhar esta relação e estraga o projeto de uma nova família, lembra Mariana. Nem sempre eles passam o Dia dos Pais juntos. Mesmo quando passo com meu pai, nesta época olho para meu padastro e penso que ele que nos acolheu com tanto carinho, como filhas de verdade, fico muito grata, diz ela.Fotos de Marcos NegriniO super tio Victor Hugo com as filhas Mariana e MarinaCelina Alonso Az





