Está sobrando Gisele Bundchen por aí. Nas páginas de revista e nos anúncios publicitários, modelos com a mesma atitude da mais famosa top do mundo – ou os mesmos cabelos e seios fartos – aparecem aos montes.
O fascínio por Gisele se reflete no comportamento de suas colegas desde 1999, quando ela estourou após ser capa de duas edições da ‘Vogue’ americana. Seu andar, considerado desengonçado na época, foi copiado por dez entre dez pretendentes a top model.
‘‘Todas começaram a imitar o passo de ‘cavalo’ (um enérgico cruzar de pernas) dela’’, diz Sandro Barros, stylist da Daslu e responsável pela escolha de Michelle Alves, 20 anos –, apontada como sósia de Gisele – para estrelar a edição de fevereiro da revista homônima.
Escolhida para ser a garota propaganda da coleção 2002-2003 da grife Valentino e capa da próxima Vogue Itália – a bíblia da moda mundial –, Michelle, cuja família mora em Londrina, acostumou-se a ser confundida com Gisele nas ruas, aeroportos e praias.
Dona de cabelos longos e cacheados, ela detém outras características semelhantes às da top número um. ‘‘A Michelle tem as mesma formas e o mesmo perfil da Gisele’’, diz Anderson Baumgartner, booker da agência Marilyn, que cuida dos contratos da garota. O que, é claro, não tira os méritos da moça, mas a ajuda a abrir as portas da profissão.
Que o diga a também paranaense Thais Tondinelli, 17 anos. Desde o dia em que participou de um desfile para o programa Ação Criança, ela viu sua carreira decolar. ‘‘Foi uma loucura, todo mundo começou a falar que eu era muito parecida com a Gisele, toda a imprensa veio atrás de mim’’, lembra ela, que já teve de enfrentar situações um tanto delicadas pelas semelhanças que carrega. Certa vez, uma fã insistiu que ela não era ela e sim Gisele. Diante da perseverança da menina, Thais se viu obrigada a dar um autógrafo.
Também dona de madeixas encaracoladas e loiras, que trata com os mesmos cabeleireiros de Gisele Bundchen – Carlos Carrasco e Wanderley Nunes –, Thais não se importa em se parecer com a musa. Acredita que, apesar de ter de conviver com as comparações, ‘‘isso não é um problema’’. Na maioria das vezes é a solução – coincidentemente ela protagoniza a campanha do site da C&A.
Impulso para o sucesso
Renato Sproviero Júnior, booker da Elite, confirma: ‘‘Todas as modelos semelhantes a Gisele tiveram e ainda têm sua carreira impulsionada’’. Segundo ele, clientes ligam para a agência à procura de alguém com a figura de Gisele mas sem o cachê milionário da top. Modelo sob a tutela de Sproviero Júnior, Izabela Tavares, 17 anos, é outra que vira e mexe é comparada com a gaúcha. Bookers e modelos, no entanto, garantem que as meninas que possuem atitude e características parecidas com as da top não procuram imitar a modelo.
A editora de moda da revista Vip, Marília Mello, também nega que tenha tentado fantasiar de Gisele a modelo Milena Haesbaert, 20 anos, que participa do editorial deste mês da publicação. Mas desde que a revista saiu, cartas e e-mails têm chegado à redação com comentários sobre a similaridade entre as duas beldades.
Bastou um aplique ondulado e óculos escuros para que Milena ficasse a cara de Gisele – o corpo curvilíneo e o rosto anguloso a natureza lhe deu. Agora os leitores da ‘Vip’ a querem na capa. ‘‘Tenho de dar graças a Deus por ser parecida com ela. Me encaixo direitinho no perfil da Gisele. Sou magra mas não sou tábua, tenho peito e cintura.’’
Gisele Bundchen tem o poder de transformar em altos dividendos tudo o que anuncia. É por isso que todos querem tê-la como garota propaganda, embora poucos possam pagar seu preço. Quem pode, paga – como a C&A, que aumentou em 20% suas vendas depois de contratar a moça. Quem não pode, muitas vezes apela para os clones.
A revista Marie Claire pode. Depois de três meses de negociações para ter o rosto da modelo impresso na capa, conseguiu uma foto dela de graça com a condição de que não poderia reproduzi-la em nenhuma outra Marie Claire do mundo.
Gisele foi escolhida para ilustrar a edição do mês passado, comemorativa aos 11 anos de atividade, por incorporar a imagem que os editores queriam passar – a modelo teria de ser tão especial quanto uma edição de aniversário. E conseguiu elevar em 20% as vendas em banca.
‘‘Foi o número que mais vendeu na história da Marie Claire’’, comemora a diretora da unidade de negócios das revistas femininas da editora Globo, Laura Capriglione. ‘‘A Gisele reúne sofisticação, atitude e modernidade, conceitos que queremos passar daqui pra frente. É também quem melhor representa o mundo da moda, área em que queremos nos firmar.’’(L.N.)
Na capa da Forbes
Não é somente no circuito fashion, porém, que a garota esguia que, quando criança, era chamada pelos colegas de Olívia Palito, reina absoluta. Ela foi a primeira personalidade não empresarial a estampar a capa da revista Forbes brasileira, em abril último. E, como era esperado, a história se repetiu: as vendas da edição foram 20% maiores.
A repercussão foi tamanha, e a grife Gisele carrega força tal, que a matéria para a qual foi personagem foi a única, em um ano e meio de existência da publicação no País, requisitada pela matriz americana para ser traduzida. Nem mesmo Pelé, que também já esteve na capa da Forbes, conseguiu tal feito.
Nas páginas internas, a revista aborda o contrato da modelo com a C&A e trata de outro fato impressionante na carreira dela: a marca quer, mas não consegue se livrar da figura de Gisele. Antes de renovar o contrato, a rede de departamento fez uma pesquisa entre seus consumidores e descobriu que a top é insubstituível. Nem Caroline Ribeiro, nem Fernanda Tavares seriam capazes de repetir o seu feito: fazer com que as roupas populares ganhassem uma cara mais fashion.
Especula-se – a megamarca não divulga números de investimentos e vendas – que o contrato fechado em 2001 com Gisele tenha sido de US$ 1,5 milhão. Para estrelar a campanha de 2002, outros US$ 500 mil foram exigidos pela modelo. Cifra que a empresa, como que num beco sem saída, foi obrigada a aceitar. ‘‘A marca chegou a um ponto de extrema dependência de Gisele. Tornou-se fundamental vinculá-la a seu produto’’, diz a editora da revista Forbes, Cristiane Barbieri.
O grande trunfo da cidadã mais célebre da cidade gaúcha de Horizontina está justamente em conseguir ser um expoente no concorrido mundo da moda e ao mesmo tempo passar uma imagem acessível ao grande público. Tal característica fez com que a Companhia Marítima, etiqueta de moda praia, desembolsasse cerca de R$ 70 mil para ter a modelo desfilando quatro de seus biquínis na última São Paulo Fashion Week de verão. E pensa em trazê-la para a edição deste ano. (L.N.)

mockup