Houve um tempo em que ele era muito popular e aparecia em novelas, filmes de Hollywood e na companhia de gente chique e importante. Depois que a ciência descobriu que era uma farsa perigosa para a saúde, o cigarro começou a perder cada vez mais espaço. Quase não é mais convidado para aparecer na telinha ou na telona e, quando isso acontece, está sempre na companhia dos malvados. Em restaurantes, shoppings, aeroportos, aviões e empresas ele simplesmente não entra.
Um sofrimento para quem ainda não conseguiu se livrar do vício do fumo e se vê cada vez mais excluído pela sociedade. No mercado existem centenas de fórmulas mágicas, poções milagrosas e simpatias infalíveis para largar a fumaça de vez, mas muitas pessoas acabam voltando ao vício.
Programa desenvolvido por duas profissionais de Londrina, a dentista Andrea Carraro Badin e a fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira, garante que 90% dos pacientes param de fumar definitivamente. ''O processo acontece sem aquele sofrimento todo que os outros métodos têm. A pessoa pára sem ficar neurótico com isso'', garante Andrea.
O tratamento dura seis semanas e tem uma parte medicamentosa e outra comportamental. ''Como o cigarro causa dependência física e psicológica, cada um deles precisa de tratamento específico'', diz Ana.
Segundo ela, um dos grandes erros dos métodos tradicionais contra o tabagismo é dizer sempre que o cigarro faz mal e que é preciso largar o vício. ''Muitos fumantes nem procuram tratamento justamente por isso. Eles sabem que o tabaco é prejudicial para a saúde e conhecem todas as doenças que ele causa. Esse tipo de informação não funciona bem. Nós não discutimos isso com nossos pacientes. Nas reuniões em que eles participam, nós explicamos como o cigarro age no organismo e como é possível, de forma inteligente, largar o vício e não ter recaídas'', explica.
O tratamento é feito em grupos de no máximo seis pessoas, que se reúnem no Hospital do Coração de Londrina. Durante as seis semanas de tratamento medicamentoso, as reuniões são semanais. Depois desse período, as especialistas indicam reuniões trimestrais durante um ano, para manutenção. Na primeira consulta, o paciente passa por uma avaliação física e psíquica para determinar o tratamento ideal. Todo o processo custa R$ 450 mais o preço do remédio, que pode variar de R$ 40 a R$ 140. Fone (43) 3345-1921.


  ‘‘Comecei a fumar com uns 14 anos e nunca tinha pensado em deixar o cigarro. Parei para pensar no assunto quando senti que já não dá para fumar em qualquer lugar, quem fuma se sente excluído. Eu me sentia mal quando acendia um cigarro porque sei que estava me prejudicando e às outras pessoas também.
  Tomei conhecimento do tratamento através de um amigo que também se submeteu a ele e conseguiu parar. Mas fiquei quase um ano com o endereço na bolsa. Um dia resolvi que queria parar, mas sabia que não conseguiria sozinha. Vim para a primeira consulta achando que não ia dar certo, mas acabei acreditando. Iniciei o tratamento com o remédio e a freqüentar as reuniões.
  Sempre pensei que quando deixasse de fumar iria ficar ansiosa e com aquela angústia. No entanto, parei de fumar sem sentir vontade de acender um cigarro. Mesmo quando a gente pára de tomar o medicamento não dá vontade de fumar porque o organismo já está num processo de limpeza, sem o cigarro.
  Fumava um maço e meio por dia e estou há um ano sem fumar. Hoje minha auto-estima está melhor, sinto mais vontade de cuidar de mim, de usar cremes para a pele, de ficar bonita. Também fiquei mais calma, por incrível que pareça. A força de vontade conta muito e acredito que o tratamento foi fundamental para eu conseguir. Levo uma vida normal, convivo com pessoas que fumam e não sinto vontade de levar um cigarro à boca’’.
Sílvia Cescato, 43 anos, empresária


  ‘‘Eu fumo desde que entrei para a faculdade. Primeiro fumava só no intervalo das aulas, depois a coisa foi aumentando e quando a gente vê está fumando o dia todo. Nunca tinha pensado em parar porque todo mundo falava que engorda. Como eu cheguei a pesar 40 quilos mais do que tenho hoje, morria de medo de voltar ao peso antigo. Comecei o tratamento mas não me adaptei direito com o remédio. Aí diminui a dose pela metade e usei adesivos de nicotina. A Ana e a Andrea me aconselharam a diminuir a quantia de cigarros por dia enquanto tomava o medicamento e, quando tive de parar de vez, já fumava muito pouco e nem senti falta.
  Os remédios e o trabalho em grupo são muito importantes, mas o que me ajudou mais foram as informações sobre o cigarro. Eu confundia questões psicológicas com físicas e sempre que sentia vontade de fumar achava que era meu corpo pedindo, quando na verdade era só o psicológico. Mais difícil foi vencer o hábito de fumar. Aquela rotina de entrar no carro e acender um cigarro, almoçar e em seguida tomar café e fumar. Com o tratamento, aprendi que essas são armadilhas do cigarro e consegui me livrar delas.
  Dei início a um programa de exercícios físicos, que antes odiava, e agora consigo até praticar corrida.
Antes o cigarro me deixava cansado para tudo.
Hoje tenho uma qualidade de vida muito
maior, me alimento melhor e não engordei depois
que parei de fumar’’.
Marcelo Alvin Dias, 40 anos, comerciante

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