Para viver em paz
Cleide Cavalcante
Agência Estado
A paz é algo que se conquista e não se compra. Pensando nisso, o médico Benjamim Gordon escreveu Viver em Paz (editora Nobel), uma obra que chama a atenção para as doenças da alma. São moléstias tão graves ou até mesmo piores que as doenças físicas, mas que podem ser tratadas e curadas desde que se tome consciência do problema. As doenças da alma são muito difíceis para o diagnóstico médico, e muito mais difícil ainda para as pessoas é aceitar que estão doentes por causa de uma inveja ou ódio, o que é tão banal e todo mundo tem, argumenta. Entretanto, essas são moléstias da alma, que fabricam veneno no organismo (catecolaminas) e as pessoas vivem assim por toda uma existência, com bastante sofrimento. Mas ninguém aceita isso como causa de destruição do seu corpo físico e, geralmente, acha que é normal.
Entre as doenças da alma, Gordon destaca o ódio, a inveja, o ciúme, o pânico, a culpa, a auto-acusação, o masoquismo, a carência afetiva, conflitos internos, a negatividade, a depressão, a rejeição familiar, as fobias, o medo de morrer, as manias de grandeza (megalomania), as neuroses fálicas e obsessivas, sadismo, sadomasoquismo, sentimentos de vazio, desespero, o sonho da vida (esperanças e desilusões), hipocondria (medo de doenças), falta de auto-estima e o egoísmo. Temos ainda o complexo de Édipo, o mais importante dos conflitos da vida em que existe um intenso amor da mãe pelo filho e do pai pela filho e vice-versa, cuja falta de compreensão determina uma intensa doença da alma, verifica o médico.
Os sintomas são difíceis de constatar. Os principais sinais da doenças da alma, também chamadas de psíquicas, entretanto, são: ansiedade, sensação de que o ar não chega aos pulmões, necessitando respirar muitas vezes; sensação de falta de ar, suores muito fortes, boca seca, vontade de vomitar, diarréia, micção frequente, dificuldade ao engolir, mal-estar abdominal, arrepios de frio, ondas de calor e frio, parestesias, tonturas, vertigens, dor ou pressão no peito, desrealização, despersonalização, sensação de tensão, dificuldade de relaxar, dores diversas e inespecíficas, inquietação, esquiva (evita situação que desencadeia a ansiedade ou medo), reage assustado a pequenos estímulos, insônia, desânimo e irritação, desespero e vontade de chorar. Todos os sintomas ou parte deles, apesar de estar na alma, parecem estar em vários órgãos, como transtornos gastrointestinais, infecções virais e bacterianas, doenças circulatórias ou cardiovasculares, doenças respiratórias, metabólicas e endócrinas, afirma.
A grande dificuldade é que os médicos não conseguem detectar estas complicações em exames físicos ou laboratoriais. Dizem ao paciente que ele está com uma doença nervosa e isto nada esclarece ou ajuda; entretanto o paciente sente-se mal, angustiado, parece que vai morrer logo. Outras vezes nada sente, como nos casos de inveja, raiva e ódio, que também fazem sofrer sem que se encontre uma explicação, informa o médico.
Viva melhor
Segundo o médico Benjamin Gordon, combater as doenças da alma é um processo que exige bastante dedicação. Trabalho que deve ser realizado no dia-a-dia, com muita dedicação e amor. Veja algumas sugestões:
Cultive o amor em seu lar. A busca da paz no lar é resultado da conquista de todos os espaços no coração dos que lá vivem.
Amar e ser amado é mais valioso que tudo, o que nunca envelhece e sempre é necessário; amar e ser amado é a principal finalidade, a projeção e o status são meio de vida (sobrevivência).
Quando sabemos que somos amados e que amamos, as doenças da alma ficam em segundo plano e aumentam a nossa auto-estima e a vontade de viver nos estimulará na luta pela vida.
Para viver bem, não interessa quem ganha mais dinheiro o homem ou a mulher , o que importa é ter um lar para o retorno, sem brigas ou discussões.
Uma vez conseguido o equilíbrio no lar, temos que conseguir conviver com os parentes que nos cercam.
Os filhos são a continuação da vida quando partimos deste mundo e são um pedaço de nós, que aqui deixamos para nos continuar; entretanto, não podemos moldá-los de acordo com nossas convicções, pois eles têm estrutura de alma diferente da nossa.
A caridade também é fundamental para a cura dos doentes da alma porque nos faz praticar o perdão para com os nossos semelhantes e, principalmente, para com nós mesmos, fazendo com que a nossa empatia diminua a raiva, a inveja, o ódio, a culpa, fazendo com que deixemos de produzir as catecolaminas em doses excessivas, que vão envenenando nossos órgãos físicos como cérebro, coração, pulmão, rins, provocando intenso sofrimento.
Tenha uma religião. As mensagens que os profetas nos trouxeram, do ponto de vista das doenças da alma, são para que os nossos sofrimentos diminuam; depende de nós mesmos.





