Se o ronco incomoda quem dorme ao lado, para a pessoa que sofre do mal ele representa desconforto e risco. Hoje, já é consenso na área médica que ele não pode ser avaliado apenas por seu aspecto social, e sim como um problema médico, pois pode preceder a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, a S.A.O.S. Trata-se de uma doença crônica, evolutiva, que pode trazer consequências mais sérias.
Além do ronco, a sonolência durante o dia também pode ser um sintoma da doença. Os tratamentos são variados e dependem de cada caso. As recomendações mais comuns incluem evitar bebidas alcoólicas e medicamentos sedativos, sobrepeso e até não dormir de barriga para cima.
A cirurgia também é recomendada em alguns casos. Contudo, como todo tipo de cirurgia implica em risco, a conveniência da sua realização deve ser devidamente analisada.
Recentemente, o tratamento do ronco e apneia do sono ganhou mais um aliado. São os aparelhos intraorais removíveis, introduzidos na boca e usados para dormir.
''Não invasivos, os aparelhos podem contribuir de forma bastante eficaz com o tratamento. No entanto, para a indicação de seu uso, os casos devem ser avaliados pelo médico e pelo dentista especializado no tema'', explica a especialista em ortodontia Elizângela Aline Fernandes, da equipe do Centro de Ensino e Pesquisas Odontológicas (Epeo), de Londrina.
Segundo Elizângela Fernandes, o aparelho estimula a musculatura da faringe e adjacências a ficar mais tensa, mais firme, evitando o ronco. No entanto, nem todos os pacientes podem usá-lo.
''Se houver uma impossibilidade de reter o aparelho na boca por próteses dentárias, por grande mobilidade nos dentes, ou ainda por existirem problemas de articulação da mandíbula como dor, estalos ou desvios, o aparelho não é indicado, pois pode agravar esses problemas'', observa.
Seu mecanismo consiste em abrir ou ampliar o espaço das vias aéreas através de uma modificação do posicionamento da mandíbula durante o sono. ''O uso do aparelho tem apresentado ótimos resultados e tem também a vantagem da simplicidade do uso e baixo custo'', comenta a dentista.
Os aparelhos bucais estão divididos em quatro grupos conforme o seu mecanismo de ação: 1) Elevadores de palato mole, para tratamento exclusivo de ronco; 2) estimuladores proprioceptivos; 3) retentores linguais e 4) posicionadores mandibulares.
Elizângela Fernandes lembra que a apneia do sono é causada pela obstrução das vias aéreas por diversas vezes durante a noite, impedindo a respiração por alguns segundos. ''Essa interrupção acontece devido à flacidez dos tecidos da garganta que, ao vibrarem quando o ar passa, geram o ronco. Os aparelhos são confeccionados de modo a posicionar a mandíbula para frente, possibilitando que a passagem do ar na garganta fique desobstruída'', explica.
Existem também tratamentos combinados com cirurgia que solucionam o problema, mas a indicação cirúrgica só é aconselhável depois de um diagnóstico preciso dos locais de obstrução, idade e constituição física do paciente.
A apneia não mata, mas, por ser uma doença crônica e evolutiva, ela pode causar danos maiores. ''A doença do sono não pode ser resolvida em curto espaço de tempo e, então, pode vir a afetar outros orgãos do corpo, principalmente o coração - chega a aumentar em até 30% a possibilidade de desenvolver arritmias, hipertensão, infarto e derrame cerebral - '', alerta Elizângela.
O perfil dos pacientes que apresentam esse problema, normalmente, é de homens acima de 30 anos e mulheres a partir da menopausa. A síndrome também pode manifestar-se em pacientes acima do peso ou que fazem uso de medicação sedativa (hipnóticos ou antialérgicos e anti-histamínicos), principalmente antes de dormir.
Enquadrado nessas características, o paciente deve procurar um médico do sono, um otorrinolaringologista ou ainda um dentista especializado. Alguns exames são realizados para detectar os aspectos do sono, como contrações musculares, problemas respiratórios e cardíacos, entre outros.

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