Para um melhor desempenho
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Reportagem Local 
A cada 20 crianças, uma sofre de algum problema de visão. Já na adolescência, os números assustam ainda mais: um em cada quatro alunos necessita de correção visual. Quanto mais cedo os pais levarem seus filhos ao oftalmologista, melhor. Afinal, muitas vezes a criança apresenta baixo rendimento escolar simplesmente porque não enxerga bem e ninguém a seu redor nem pais, nem professores se deram conta do problema.
O médico oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, recomenda que pais e professores prestem mais atenção em alguns sinais que a criança mostra, como franzir os olhos para ler e afastar cadernos com as mãos para acomodar melhor a visão. Como a dificuldade para enxergar bem pode gerar um impacto bastante negativo na vida das crianças, comprometendo não só o rendimento escolar como as relações sociais, Neves aponta sete vícios de comportamento que podem ter origem em problemas de visão.
Um deles é apertar os olhos para ler. "Quando a criança aperta um dos olhos para enxergar, pode ser que inconscientemente esteja querendo melhorar o foco e usando o olho bom para ler com mais clareza. Trata-se de um sintoma clássico que deve ser avaliado."
Reclamação de dor de cabeça também deve ser levada em conta. "Quando a queixa de dor de cabeça é frequente durante as aulas, ou quando a criança faz a lição de casa, é preciso investigar. Principalmente se reclama de dor na testa. Afinal, ela pode estar fazendo um esforço extra para enxergar direito", alerta Neves.
Se a criança senta-se muito perto da televisão também é bom se preocupar. "Ainda que as telas dos televisores tenham aumentado bastante nos últimos anos, algumas crianças insistem em sentar bem próximas à TV, dando sinais claros de que talvez sofram de miopia. O mesmo acontece com games de bolso ou livros", destaca.
Acompanhar a leitura com um dedo. "Eis outro sinal perceptível durante a leitura. Se a criança não conseguir ler sem recorrer ao dedo indicador, pode não ser apenas uma mania, mas um caso de ambliopia síndrome do olhinho preguiçoso em que as letras e palavras parecem muito próximas, dificultando a leitura".
Outro sinal de alerta é quando a criança tapa um olho com a mão. "Há crianças que automaticamente tapam um dos olhos com a mão para enxergar melhor com o olho bom. Isso pode acontecer durante as atividades escolares ou até mesmo de lazer. Tanto pode indicar um problema de ambliopia como de estrabismo", aponta Neves.
Andar de cabeça baixa também deve ser motivo de preocupação. "Há casos em que a criança estrábica ou com desequilíbrio no músculo ocular acaba tendo dupla visão ao focar um objeto ou olhar para baixo. Para se sentir mais segura, passa a andar sempre com a cabeça baixa, na tentativa de prevenir problemas mais sérios como quedas".
Por último, o oftalmologista afirma que o ato de coçar os olhos insistentemente deve ser investigado. "Esse é um sinal clássico de fadiga ocular. Tanto pode ter origem em problemas de visão como pode estar relacionado à conjuntivite. Nos dias em que a umidade do ar está baixa, essa condição se intensifica tanto que pode até provocar lesões nas pálpebras."
Foto: Shutterstock


