Para toda a vida
Para toda a vidaReproduçãoCom o avanço da idade, os problemas odontológicos aumentam, mas é possível ter dentes perfeitos até o fim da vidaCelso Mattos
Em um país que tem a fama de ser a terra dos desdentados, chegar à terceira idade com os dentes perfeitos é coisa rara, mas não impossível. Para isso, é necessário uma mudança de hábitos e também de qualidade de vida. As pessoas precisam se conscientizar da necessidade de cuidar bem dos dentes desde os primeiros anos de vida, observa o cirurgião-dentista Hélion Leão Lino Júnior. Ele informa que existem muitos pacientes com 70 ou 75 anos que chegam ao seu consultório com dentes em boas condições.
Segundo o cirurgião-dentista, isso não é comum porque quando essas pessoas eram jovens, a odontologia não era tão avançada e também não havia uma conscientização por parte dos pais em relação a importância da saúde bucal. Naquela época, a regra era a extração dos dentes, observa. Hélion Leão ressalta que com o avanço da idade, a modificação mais visível é o desgaste do próprio dente. Geralmente ocasionado por atrito que é influenciado pela musculatura da boca, consistência dos alimentos e hábitos ocupacionais como bruxismo e rangido noturno, que acabam abalando a estrutura interna do dente, explica ele.
Essa diminuição da eficiência mastigatória conduz o paciente a hábitos inadequados, levando-o a optar por alimentos menos sólidos. Essa deficiência é provocada, na maioria das vezes, pela falta de dentes e próteses mal-adaptadas. Esses problemas associados à redução do fluxo salivar, responsável pela lubrificação dos alimentos, acabam dificultando a digestão nas pessoas idosas, acrescenta.
Josoé de CarvalhoExistem pessoas que chegam aos 75 anos com dentes perfeitos, diz o cirurgião-dentista Hélion Leão Lino JúniorAs doenças das gengivas também costumam apresentar quadros mais graves na segunda e terceira idades. Em condições normais, a gengiva funciona como uma barreira de proteção contra a entrada de bactérias na estrutura dos dentes. Portanto, sua higienização é importantíssima, mas infelizmente nem sempre é levada a sério. O acúmulo de placas bacterianas acabam provocando danos irreparáveis como a perda óssea ao redor do dente, alerta o dentista.
Diabete Segundo Hélion Leão Lino, em pacientes diabéticos, a gengiva se apresenta quase sempre de forma patológica. É muito comum a inflamação gengival, levando ao sangramento durante a escovação. Nesse caso, é necessário fazer periodicamente a remoção de focos de bactérias para evitar a perda óssea e, futuramente, a perda do próprio dente. Essa remoção deve ser feita de três em três meses. É bom frisar que todo o tratamento odontológico em diabéticos deve ser feito em conjunto com o endocrinologista. A diabete é uma doença que dificulta a cicatrização e fragiliza muito o organismo humano, especifica.
Ele salienta que no caso das mulheres, a gengiva tende a ficar mais fragilizada durante a menopausa, devido à queda hormonal. Outro problema muito comum em pacientes idosos é a perda óssea por contaminação bacteriana e trauma dental, resultante de má higienização e tratamento protético inadequado. A modificação do osso da boca é idêntica ao resto do sistema esquelético. Por isso, as mulheres com osteoporose vão apresentar problemas odontológicos. A doença diminui a vascularização do osso, causando redução no metabolismo e na capacidade de cicatrização. A reabsorção óssea aumenta e a formação do osso diminui, levando à porosidade, explica o cirurgião-dentista.
De acordo com Hélion Leão Lino, é preciso que as pessoas se conscientizem da complexidade desses problemas que ocorrem com o avanço da idade, sendo necessário preveni-los e tratá-los. Na maioria dos casos, não são tratamentos baratos, mas a relação custo/benefício deve ser priorizada para se alcançar resultados satisfatórios, aconselha o profissional.





