Para quem tem vergonha da cara
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Rosângela Vale<br> Reportagem Local 
Encarar a acne como um problema temporário e solucionável por si só, sem necessidade de tratamento, é um dos equívocos mais comuns cometidos por aqueles que sofrem com a doença. No Brasil, eles não são poucos: nada menos do que 24 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destes, apenas 6% procuram ajuda médica.
O resultado desse descaso aparece mais tarde nos consultórios. ''Cada vez mais, pessoas acima de 24 anos chegam querendo corrigir as cicatrizes de acne porque começam a entrar no mercado de trabalho e, neste momento, a aparência conta bastante'', observa a médica dermatologista Lígia Márcia Mario Martin, responsável, em Londrina, pelas palestras do projeto CUCAS Companheiros Unidos contra a Acne , uma parceria do laboratório Roche e da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Além de palestras nas escolas, o projeto conta com um site (www.cucas.com.br) onde o internauta pode tirar dúvidas por meio de um fórum (que conta com a participação de um dermatologista e um psicólogo), procurar um médico especializado (há um cadastro com 800 profissionais), discutir dúvidas e relatar experiências através de um chat.
Tanto na sala de aula como na internet, o objetivo do CUCAS é estimular a discussão sobre o assunto e incentivar os jovens a procurar profissionais especializados. Com isso, espera-se acabar como o conceito de que a acne é apenas um problema passageiro, que se resolve com o tempo. ''Como tudo em medicina, acne também é prevenção. Deve-se procurar ajuda médica quando começam a aparecer os primeiros sinais'', aconselha a dermatologista.
Lígia já proferiu palestras em colégios de Londrina, Apucarana, Arapongas e Rolândia. O público-alvo são adolescentes de 13 a 17 anos e, segundo ela, a avidez por informações é grande. ''A dúvida mais frequente é se chocolate dá acne. Não há nenhum trabalho científico comprovando que alimentos provocam a doença. Alguns vêm associando a soja com a melhoria do problema, mas nada ainda é conclusivo'', esclarece.
De acordo com a dermatologista, as causas da acne são genéticas, hormonais, ambientais e relacionadas à condução inadequada do problema. E também à demasiada manipulação. ''Clara de ovo, pasta de dente, balcão de farmácia: tudo isso vai deixando sequelas'', adverte Lígia. Ela atenta ainda para outra consequência da doença: a baixa auto-estima. ''Nos casos mais graves, os adolescentes chegam a não querer sair de casa, podem ter depressão e dificuldade de aprendizado'', informa.
No chat, os jovens podem trocar informações entre si e saber que não são os únicos a enfrentar o problema, principalmente no que se refere aos efeitos colaterais da isotretinoína, tratamento de ponta para a acne atualmente. A medicação pode ressecar pele, mucosa labial e olhos (entre outros efeitos), por isso, o acompanhamento médico é fundamental. ''O primeiro mês é o mais difícil. Depois, os resultados começam a aparecer e ninguém mais quer desistir. O tratamento dura, em média, de seis a oito meses e a boa notícia é que, agora, está ao alcance de todos.
Lígia explica que até há dois meses o custo era alto: R$ 320,00 mensais, pois só havia uma marca no mercado. Recentemente, entraram os similares e os genéricos, a concorrência fez os preços baixarem e, melhor, a isotretinoína está disponível na rede pública, mediante uma minunciosa avaliação médica e apresentação de exames.
As escolas que queiram agendar palestras devem ligar para (43) 9117-9133. n


