Para não errar na hora de presentear
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quinta-feira, 08 de outubro de 2009
Agência Estado 
Quando começam a se aproximar as datas mais representativas para presentear, como o Dia das Crianças e o Natal, é sempre a mesma história. Uma enxurrada de propagandas - sobretudo direcionada à garotada - toma conta das cidades e de toda a mídia. Com isso, o desejo dos pequenos pelos brinquedos mais modernos e caros aumenta. O problema é que nem sempre os pais têm condições financeiras para atender os desejos dos filhos. O que fazer nessa hora?
Para a psicóloga Prislaine Krodi dos Santos, do serviço de Psiquiatria e Psicologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, é preciso agregar valores aos presentes. ''Além do material, tem a questão do carinho, a intenção de agradar, mesmo quando não dá certo de comprar o que a criança queria.''
Na avaliação da psicóloga Elaine Levisky, os pais não devem fugir da situação. ''É importante ser franco quanto aos limites. Lidar com os desejos da criança é um trabalho típico dos pais. Esse trabalho deve ser contínuo e não somente nessas datas.''
O trabalho varia conforme a idade da criança. Quando são muito pequenas, o ideal é dizer que não pode, mas de maneira firme, para que elas não criem dúvidas na cabeça. Pode-se também tentar uma negociação, sugerindo outras opções. Uma outra dica importante, nesses casos, é não levar os pequenos nas lojas de brinquedos. Convenhamos, aquele emaranhado de objetos funcionam como um paraíso aos olhos deles. Além disso, as crianças são vulneráveis, mudam de vontade a todo instante, e, para desespero dos pais, têm um forte poder de persuasão.
Quando os filhos são maiores e já entendem um pouco melhor a questão do custo, o ideal é abrir o jogo, ser claro quanto à situação financeira do momento. Uma alternativa é impor uma quantia. Algo do tipo: ''Você pode escolher um presente de até tal valor''. Isso, segundo os especialistas, costuma funcionar bem.
O sucesso desse trabalho está condicionado à forma como os pais agem. Tem de ser firme ao dizer que não dá. ''É preferível dizer 'não' a enrolar com um 'quem sabe' ou 'vou pensar'. Se não têm condições, a idéia é deixar claro para a criança. Ela vai ficar frustrada, mas aprenderá a lidar com a situação. O 'talvez' é vago, é uma armadilha, pois gera expectativa. A pressão fica maior, a ansiedade da criança aumenta e a dificuldade de conter essa ansiedade também é maior'' analisa Elaine.
Dívidas, nem pensar!
Para parecerem bons, muitos pais costumam contrair dívidas e bancar os desejos dos filhos. Um caminho totalmente errado na visão das psicólogas consultadas pela reportagem. ''Às vezes, eles compram presentes que não condizem com a realidade, tirando recursos que poderiam ser usados em outras coisas para a própria casa'', avalia Prislaine.
Um exemplo desse tipo de compra são os videogames. Os pais acabam se esquecendo que as crianças vão cobrar novos jogos e nessa hora o dinheiro vai faltar. ''O ideal é mostrar qual a possibilidade. 'Não dar a bicicleta, mas posso comprar jogos, um livro, uma bola'. Se a criança recusar os presentes, explique o motivo e peça sugestões'', ensina Elaine.
Sem barganha
Outro grande equívoco que os pais comentem nessas ocasiões é condicionar o tão sonhado presente a alguma ação, ou, como de costume, ao desempenho escolar. A psicóloga Elaine Levisky já avisa: ''Nada de ameaça ou barganha. Ao condicionar o presente ao boletim escolar, ele deixa de ser um presente e passa a ser um pagamento.''
Para Prislaine, os pais precisam ajudar os filhos a reconhecer a escola como patrimônio do saber. ''Falar bem e raciocinar bem são ferramentas que a criança levará para o resto da vida. Então, ir bem à escola não pode ser um valor somente dos pais. Além disso, o interesse pela escola dos filhos deve ser ao longo do ano.'' A especialista também avisa que, ao condicionar, o filho é tratado como aluno e não como membro da família.
Selo de qualidade
A presença do selo de qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), que deve constar nas embalagens, é outro aspecto que deve ser obsevado, pois a falta dele indica que o brinquedo veio do mercado informal e pode não ter a qualidade esperada.
Ainda de olho nesses problemas, as entidades de defesa do consumidor chamam a atenção sobre responsabilidade dos fabricantes em relação aos recalls de brinquedos, o que dá mais segurança ao consumidor.


