Para cada fase da vida, uma cor de cabelo
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Vera Fiori<br> Agência Estado 
Se você perguntar a uma mulher, hoje, qual a cor natural do seu cabelo, provavelmente ela vai demorar a responder, tantas as tonalidades que deve ter experimentado ao sabor da gangorra emocional de sua vida. Casamento, filhos, separação, novo romance, um novo emprego, tudo é pretexto para mudanças radicais. E estas tanto podem dar um up ao visual como podem derrubá-lo. Vermelho, louro, castanho, preto, cor de mel, platinado, azul, pink... Tudo é possível, desde que combine com o estilo de vida e personalidade. Nessa linha, a primeira lição é deixar de lado os modismos.
Imagine passar a vida inteira usando o mesmo tipo de corte, cor de cabelo e roupas que, além de envelhecerem, ''brigam'' com seu físico, ideias e profissão?
Se depender do premiado hairstylist espanhol Antonio Bellver, a brasileira vai desfilar de cabelo curtinho, nuca batida ou com fios ondulados e cores sensuais, que variam entre os ocres e dourados acobreados. Porém, tendências à parte, o que vale é realçar os pontos positivos do rosto. ''Cabe ao profissional ajudar a mulher a encontrar o look que melhor se adapte ao seu estilo'', diz. Para aquelas que pensam em aposentar as tintas, a dica: ''Uma cliente de cabelo branco com um corte moderno é sempre elegante, mas o cabeleireiro sugerir algumas mechas, luzes douradas ou uma balayage. Caso contrário, ela cai no comodismo'', argumenta.
Claro ou escuro? Houve uma época em que o louro reinava absoluto. Hoje, os castanhos estão super em alta, sinal de que a brasileira está assumindo a latinidade. De acordo com a L'Oréal, os castanhos são a escolha número 1 das brasileiras, com 35,7% da preferência, seguidos dos louros (28,8%) e pretos (17,7%), que quase empatam com os vermelhos (17,6%). Levantamento feito pela Avon demonstra que a brasileira gosta muito do chocolate e dos vermelhos, como o 6.6 (louro escuro avermelhado) e o 6.56 (louro escuro acaju avermelhado).
Já vai longe o tempo em que a mulher só recorria às colorações para cobrir os fios brancos. Moda e beleza andam juntas, e as tintas viraram acessório imprescindível para compor um estilo pessoal - e cada vez mais cedo. Segundo dados da Nielsen Scantrack Database de 2008, 49% das mulheres entre 18 e 24 anos colorem o cabelo.
Tingindo em casa
Segundo pesquisa do Instituto Ipsos, com 999 entrevistadas de quatro capitais, no Brasil, a cada dez mulheres, oito colorem o cabelo em casa. Apesar do consumo doméstico elevado de tais produtos, as consumidoras têm muitas dúvidas, como, por exemplo, a diferença entre tinta permanente e tonalizante. Rosemary Miliauskas, química da Avon, especializada em cuidados com os cabelos, esclarece que as tintas permanentes são indicadas para quem tem mais de 50% de fios brancos na cabeça. ''A cobertura e o poder de fixação são maiores do que no tonalizante.''
Quando o quesito é durabilidade, entre as cores de vida curta, o vermelho ganha disparado. Enquanto os castanhos duram, em média, 20 lavagens, os vermelhos suportam apenas 12, isso por causa de um componente próprio da cor, o óxido de ferro, explica a Rosemary. Quer radicalizar? Cuidado: ''Se você é morena e quer ficar loura, lembre-se de que tinta não clareia tinta. Em casa, é possível clarear, no máximo, três tons. O certo é procurar um profissional para fazer a descoloração e, depois, aplicar a tinta.''
Uma frase comum entre as mulheres é: ''Eu quero a cor igual a de...'' Vale tanto para a foto que ela vê na caixinha da tinta como para o cabelo da amiga ou da celebridade da revista. No primeiro caso, Rosemary esclarece que a ilustração da embalagem é apenas uma referência.
Quanto a copiar cores de outras pessoas, esperando o mesmo resultado, desista. ''Vai depender da cor natural e da textura do cabelo de cada uma. As mulheres de etnia oriental ou árabe, por exemplo, têm cabelos muito mais resistentes à descoloração.''
Tintura estraga os cabelos? Segundo Rosemary, antigamente a função dos produtos era apenas abrir as cutículas dos fios, liberando o caminho para o corante. ''Hoje usa-se menos amônia, e é feito um pré-tratamento, diminuindo as agressões aos fios.''
Quanto ao erro mais comum ao pintar o cabelo em casa, Rosemary lembra que quem tem cabelo comprido não deve torcê-lo, prendendo-o com uma presilha depois de aplicar a tinta. ''Esse procedimento pode manchar o cabelo. O certo é deixá-lo solto.''
Para orientar a consumidora, a Avon disponibiliza em seu site (www.avoncoloracao.com.br) dicas do cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, um passo a passo para não errar na aplicação, e uma calculadora, com a qual é possível simular uma transformação, usando a cartela de cores. Basta adicionar uma foto pessoal e seguir as instruções para o antes e depois virtual.
Qualquer que seja a cor, o segredo para não ressecar os fios, evitando o efeito palha, é investir em cosméticos de qualidade. A dica é passar leave-in com protetor solar, para a cor durar mais, e fazer manutenções capilares periódicas, como hidratações, tratamento à base de queratina. Não pinte o cabelo se não for cuidar.


