Nem mesmo o mais desembaraçado dos pais deixa de tremer na base quando chega a hora de falar sobre sexo com os filhos. A situação não é diferente na escola. Por estarem presos a tabus e, na maioria das vezes, despreparados para abordar a questão na sala de aula, os professores nem sempre cumprem integralmente a função de educadores. Para facilitar essa tarefa acaba de ser lançada a cartilha ‘‘Fala Educador, Educadora’’, um verdadeiro manual de instruções que visa orientar e enriquecer o trabalho com adolescentes.
A iniciativa é do laboratório farmacêutico Organon, que vem patrocinando várias ações educativas na área da sexualidade e saúde: palestras, cursos e encontros para jovens, além de disponibilizar um Help Line (0800-552590) para esclarecer dúvidas sobre estes temas. A obra dirigida aos educadores é um complemento à cartilha ‘‘Fala Garoto, Fala Garota’’, lançada em 97 pelo Ministério da Saúde e reeditada pela Organon no ano seguinte, com distribuição gratuita para todo o Brasil.
Organizada pela psicóloga Camila Alves Peres – que desde 1993 coordena ações preventivas junto aos adolescentes – a cartilha ‘‘Fala Educador, Educadora’’, tem como autores os psicólogos Ricardo Castro e Silva, mestre em educação e coordenador do movimento de adolescentes brasileiros (MAB), Cely Regina Batista Blessa, psicodramatista, Elizabeth Maria Vieira Gonçalves, coordenadora de projetos de Sexualidade e Prevenção das DST/Aids e a professora Vera Paiva, doutora em Psicologia Social e consultora do programa de Aids das Nações Unidas.
Extremamente didática e com uma abordagem completa sobre todos os itens que devem estar incluídos no trabalho de orientação sexual – sexualidade e gênero, saúde reprodutiva, aborto, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e vulnerabilidade – a cartilha tem o grande mérito de dialogar com as dificuldades dos professores, tentando responder às perguntas mais comuns levantadas em pesquisas e treinamentos, como, por exemplo: Falar sobre sexo leva à prática precoce? Como reagir ao ver um casal de namorados se acariciando descaradamente no corredor da escola? Como lidar com a homossexualidade na sala de aula? O que é permitido ou não na área da sexualidade? A masturbação pode prejudicar a vida sexual?
Mais do que dar respostas objetivas, os autores trabalham no sentido de fazer com que os professores encarem seus próprios preconceitos e tabus e, assim, possam se sentir mais abertos para uma discussão sincera com os adolescentes, o que realmente conta pontos no resultado do trabalho. Questionados sobre como os educadores deveriam conduzir uma conversa sobre sexo, os jovens responderam que falar sempre a verdade – o que na maioria das vezes não significa respostas prontas – é o melhor caminho.
Com tópicos para as discussões em grupo e atividades práticas que visam expor as idéias de todos sobre determinados temas, cada capítulo traz um vasto suporte para os assuntos abordados: bibliografia, sites na internet, filmes e vídeos. A obra conta ainda com uma listagem de instituições que produzem materiais de orientação sexual e prevenção das DST/Aids.
O capítulo que trata da gravidez traz definições e detalhes sobre concepção e métodos anticoncepcionais – como escolher os mais adequados, vantagens, desvantagens e eficiência de cada um, além de enriquecer a discussão com alguns números alarmantes. No Brasil, estima-se que 14% das mulheres com menos de 15 anos já tenham tido um filho. Em São Paulo, de cada mil crianças que nascem filhos dessas adolescentes, 70 morrem antes de completar um mês de idade. Informação e orientação são, portanto, as únicas armas disponíveis para reverter esse quadro.
O tópico ‘‘aborto’’ informa como vários países tratam o assunto de acordo com suas respectivas legislações, esclarecendo que o papel dos educadores é trazer à tona a pluralidade das opiniões, sem cair na armadilha de reduzir a discussão às posições do contra ou a favor. Os três últimos capítulos são dedicados às Doenças Sexualmente Transmissíveis – com históricos de cada uma delas – e a Aids, que ganha enfoque vasto e linguagem direta, com itens como surgimento da doença, formas de transmissão, testes, estatísticas, medicamentos e postura correta da escola diante dos infectados.
Complementando a cartilha, o livro ‘‘Para educar é preciso pensar’’, do médico ginecologista Édson Noel Urizar Cosentino, busca fazer com que os pais acompanhem o desenvolvimento dos filhos na área da sexualidade. A obra, também editada pela Organon, é resultado da experiência de 20 anos com o trabalho de orientação sexual em escolas de São Paulo. Tanto a cartilha como o livro podem ser solicitados gratuitamente através do site www.falaeducador.com.br

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