Pais provedores, que assumem as reponsabilidades da casa e protegem os filhos. Essa é a dinâmica da maioria das famílias. O que se vê, porém, é que uma nova realidade vem sendo imposta, alterando diretamente as relações. A inversão de papéis é cada vez mais comum nos dias de hoje. Muitos filhos, por diversos motivos, assumem a liderança da casa e até mesmo as responsabilidades financeiras.
Juliano Francisco, master coach trainer, alerta que essa nova relação familiar deve ser ponderada para que não haja prejuízos. Os pais podem até compartilhar e dividir experiências, mas devem sempre desempenhar a função de líderes e educadores. ''Quando os filhos assumem a posição de pais acontece uma desordem na família, mesmo que de maneira inconsciente'', afirma ele, que ministra o treinamento Constelações Sistêmicas para identificar a situação, alinhar e posicionar as famílias.
Ele enaltece a importância dos filhos não perderem a referência dos pais, evitando que deixem de ser cuidados para apenas cuidar.
Entre as consequências negativas dessa inversão de papéis, ele destaca o fato de os filhos se tornarem carentes, instáveis emocionalmente e em alguns casos inseguros, afetando a vida pessoal e profissional. ''Essa carência é inconsciente, mas traz consequências e, por isso, deve ser trabalhada. O objetivo é 'quebrar' esse fluxo para que não seja passado para as próximas gerações'', explica Francisco.
Os filhos normalmente assumem as reponsabilidades dos pais diante de situações específicas, como no caso de desemprego, doença e morte de um dos provedores. ''Também tem o caso de separação dos pais, em que o filho, mesmo pequeno, já começa a assumir a postura de 'chefe' da família e busca proteger a mãe'', cita o coach.
Durante o treinamento, avalia-se o quanto essas mudanças podem acarretar emocionalmente e futuramente na vida do filho. ''Há filhos que chegam a não casar e são inseguros no trabalho'', diz.

Experiência positiva
A vida do consultor de negócios Fábio Tfuyoshi Ban mudou bastante depois que passou pelo treinamento. ''Minha mãe faleceu quando eu tinha seis anos e meu pai sempre exigiu muito de mim e de meus irmãos. Tive uma educação conservadora e sentia a ausência do meu pai. Com isso, acabei não seguindo o meu caminho'', conta.
Ele ressalta que a tradição oriental da família dificultou um pouco a situação, pois nunca teve liberdade para conversar com o pai. Apesar de buscar a independência, sentia-se ''preso'' à família e sempre queria alcançar o êxito para - acima de tudo - mostrar ao pai que era capaz.
''Após passar pelo treinamento, decidi conversar com o meu pai e tudo mudou. Conversei também com o meu avô e foi um diálogo proveitoso. Comecei a acreditar mais em mim e passei a ir atrás dos meus objetivos'', pontua, comprovando o quanto a família influencia no êxito pessoal e profissional das pessoas.
Para o coach Juliano Francisco, o segredo é encontrar o equilíbrio, evitando que as famílias fiquem cada vez mais desconectadas e as relações prejudicadas.

Imagem ilustrativa da imagem Papéis trocados